Governo Bolsonaro corta verbas publicitárias para Rede Globo e usará projeto de lei de Alexandre Frota para enfrentar a ABAP


Montante que a emissora vai deixar de receber da Secom ainda não foi definido

Da redação TV em Análise

Fátima Meira/Futura Press/Folhapress/21.11.2018


Principal emissora aberta do país e segunda maior do mundo, a Rede Globo de Televisão pode ficar pela primeira vez, em 54 anos de existência, sem receber verbas publicitárias do Governo Federal. Uma proposta de projeto de lei do deputado federal Alexandre Frota (PSL-SP), 55, a ser apresentada na Câmara dos Deputados pretende acabar com a farra da Bonificação por Volume (BV), que beneficia a emissora da famíglia Marinho desde 1965, no meio do governo do general Humberto Castello Branco (1964-1967).
O BV é uma comissão de 20% que as emissoras pagam por cima de contratos com grandes anunciantes. A prática foi instituída em 1980, pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), órgão criado pela ABAP (Associação Brasileira de Agências de Publicidade) e ABA (Associação Brasileira de Anunciantes), para compensar o fim da intervenção estatal no setor, no governo do general João Figueiredo (1979-1985).
Nos dois últimos anos do governo de Michel Temer (MDB), 78, a Globo ficou com cerca de 80% do bolo publicitário das emissoras, segundo reportagem da Folha de S. Paulo publicada no dia 8 de janeiro, uma semana após a posse de Bolsonaro. No entanto, o projeto encontra oposição do vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), 65, que demonstrou amabilidade com setores da Globo, principalmente após a sabatina que lhe foi feita em setembro passado pelo canal de notícias GloboNews, durante a campanha.
Segundo o TV em Análise Críticas apurou, o montante de verbas federais que a Globo deve deixar de receber do governo Bolsonaro ainda não foi definido. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), que cuida dos contratos do Governo Federal com as emissoras, disse ainda estar reavaliando os contratos dos diversos veículos de comunicação existentes mo país, entre portais, jornais, rádios, televisões, canais de TV por assinatura e mídia exterior. Nos bastidores, a Globo articula com a ABAP e a ABA uma operação para “enterrar” o PL de Frota, artista da casa entre 1985 e 1988.
Consultada pela Folha, a ABAP diosse que o governo Bolsonaro está tentando “intervir em uma atividade privada”, coisa que não ocorre desde a criação do Conar, que acabou com a atuação da Polícia Federal na liberação de comerciais de cinema e televisão. A criação desse órgão dou o primeiro passo para a extinção do Departamento de Censura de Diversões Públicas, com a promulgação da atual Constituição, em 5 de outubro de 1988.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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