A mídia que há 34 anos morreu de amores por Márcia Gabrielle quando Miss Brasil agora, na sua percepção, ataca Bolsonaro


La Canavezes procura se esquivar das pedras petistas dos comentaristas da GloboNews, Folha e Estadão

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

“Lamento que este pedido de impeachment tenha servido de oportunidade para homenagear um torturador”.
(Miguel Reale Jr., coautor do processo, na abertura dos trabalhos da Comissão Especial do Impeachment da então presidenta Dilma Rosseff, no Senado Federal, em 28 de abril de 2018)

Fátima Marrins


Há 34 anos, o Brasil saía do ciclo autoritário de 21 anos de governos militares. Acabara de eleger Tancredo Neves presidente da República no último Colégio Eleitoral da história. Defende o indefensável na pauta do Jornal Nacional. Essa tem sido a sina, desde 1º de janeiro de 2019, de Márcia Giagio Canavezes de Oliveira, 54, a Márcia Gabrielle, que mal acabara de ser eleita Rainha Internacional do Café em Manizales (Colômbia). Ganhara a capa da Cromos, espécie de Manchete local. Já participara do Miss Mundo Brasil 1984 e conquistara títulos de menor relevância em sua cidade natal, o Rio de Janeiro.
A mesma Márcia Gabrielle que orgulhou parcela dos brasileiros em 15 de julho de 1985 ao tirar o Brasil de um atoleiro de três anos sem classificações no Miss Universo, em Miami, expressa preocupação com Andrea Sadi, João Borges, Heraldo Pereira e, principalmente com Natuza Nery. A ex-repórter da Folha de S. Paulo nem nascida era quando Canavezes venceu o Miss Brasil e obteve seu feito no Miss Universo. Márcia mostrou o Mato Grosso ao mundo, mas o apresentador Bob Barker preferiu ler o que estava no roteiro: Márcia, para a Miss Universe Inc., era do Rio e pronto. Mato Grosso não tinha emissora do SBT. Márcia adotou Mato Grosso por coração, após o revés no Miss Cuiabá e sua aclamação como Miss Barão de Melgaço.
Márcia Gabrielle também foi alvo da sanha dos jornalistas da Folha, mas por outras mãos. Não as de Natuza, nem as de Renata Lo Prete, a musa do mensalão petista, que arruinou a carreira política de Roberto Jefferson (PTB). Sua participação no Miss Brasil 1985 foi esquartejada de forma criminosa, vil e torpe, num país que saía do cerceamento da ditadura, ironicamente exaltada por Bolsonaro. Prova disso foi sua exaltação ao coronel assassino Carlos Alberto Brilante Ustra (1932-2015), num dos votos que mandaram o impeachment da então presidenta Dilma Rousseff ao Senado, em 17 de abril de 2016.

O espancamento moral de Márcia Gabrielle nos jornais não a desmotivou no Miss Brasil 1985. No dia 8 de junho, Canavezes foi eleita pela pontuação dos jurados. Teve 109 pontos contra 105 da segunda colocada, Suzanne Albuquerque, de Fernando de Noronha. Acharam que era jogo político. Márcia mal conhecia o Mato Grosso. Se familiarizou com o Estado com o passar dos anos. Passou a ter espaço no júri do Miss Mato Grosso, que a projetou. No dia 14 de fevereiro, fará a tarefa no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá.

Na posse de Jair Bolsonaro, 63, na Presidência da República, há 30 dias, Márcia Gabrielle fez dois postes em sua conta do Instagram expressando preocupação com os comentaristas do consórcio midiático liderado pela Rede Globo, GloboNews, O Globo, O Estado de S. Paulo, além da Folha. Usou a interpretação surda da primeira-dama, Michelle, 38, no parlatório enquanto o marido atacava Chico Buarque, Caetano Veloso, Fernanda Torres, Wagner Moura, dentre outros artistas de esquerda para expressar compaixão com o novo casal presidencial. Eleitora de Bolsonaro nos dois turnos, a Miss Brasil de 1985 parece viver num mundo político onde o Coaf é um aparelho da extinta União Soviética. E Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz são santos da Catedral Metropolitana Basílica do Senhor Bom Jesus, principal igreja da capital mato-grossense.
Há 34 anos, os mesmos órgãos de imprensa (exceção feita à GloboNews, criada em 1996) que endeusaram Márcia Gabrielle e por ela morreram de amores na sua torcida no Miss Universo, saudavam a volta da democracia ao Brasil. É a mesma imprensa que a Miss Brasil 1985 trata de condenar e escrutinar, colocando-a contra a parede, como faziam os generais assassinos e homicidas dos anos de chumbo das ilusões do “Brasil Grande”.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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