Bonoro acaba com o Sem Censura da TV Brasil, criado em 1985


Medida faz parte da ‘reestruturação’ da EBC

Da redação TV em Análise

EBC/Divulgação


O desgoverno do presidente Jair Bolsonaro, 63, dando mostras de que não está disposto ao debate democrático, deu o primeiro passo para a privatização da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) ao determinar o fim do programa Sem Censura, que estava no ar desde 1985. O programa de debates era apresentado pela jornalista Vera Barroso.
Vários jornalistas e parlamentares se manifestaram sobre o cancelamento do programa, que foi de vital importância nos 34 anos de redemocratização que o país viveu até 1º de janeiro de 2019, quando Bonoro (cruza de Bolsonaro com o superministro da Justiça e Segurança Pública, o ex-juiz federal Sérgio Moro) assumiu o Palácio do Planalto. “O formato do Sem Censura é campeão. Acabar com o programa é péssimo”, avalia o jornalista Sidney Rezende, 60, que já foi um dos debatedores do programa.

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Até o fechamento desta matéria, o assunto estava nos trending topics do Twitter.
A EBC, vinculada à Secretaria Geral da Presidência da República, está sob intervenção de Bolsonaro para iniciar o que chama de “processo de despetização” da máquina pública. O órgão foi criado em 25 de outubro de 2007, por decreto do então presidente Lula. Sob o guarda-chiva da EBC ficaram as TVE’s do Rio de Janeiro e Maranhão e a TV Nacional de Brasília, que passaram a adotar o nome de TV Brasil. Uma quarta emissora foi criada em São Paulo, para completar a rede que o Governo Federal constituiu para dar contraponto à mídia hegemônica que o atacava àquela altura. Também integram a EBC a rádio Nacional do Rio de Janeiro, a rádio Nacional de Brasília, a Nacional FM, a rádio Nacional da Amazônia, a rádio Nacional do Alto Solimões, a Agência Brasil (embrião da TV Brasil), a TV NBR e a Radioagência Nacional, responsável pelo programa A Voz do Brasil.
Ainda no governo Lula, foi criada a TV Brasil Internacional, para exibir conteúdos da EBC e de seus arquivos para o mercado externo e brasileiros residentes no exterior. No desgoverno de Michel Temer (MDB), 78, o Conselho Curador da EBC foi dissolvido. Artistas cono o Pedro Cardoso chegaram a encerrar entrevistas em solidariedade a jornalistas da empresa pública que estavam em greve. Em protesto contra a eleição de Bolsonaro, em 28 de outubro do ano passado, a EBC ficou parada por 24 horas. Assim como Bolsonaro, outros candidatos ao Planalto como João Amoêdo (Novo) e Geraldo Alckmin (PSDB) defenderam a sua extinção. Na mão oposta, adversários como Guilherme Boulos (PSOL) e João Goulart Filho (PPL) defendiam o seu fortalecimento.
Passaram pelo comando do Sem Censura as jornalistas Gilse Campos, Lúcia Leme, Márcia Peltier e Leda Nagle, antes de Vera Barroso assumir, em setembro de 2016.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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