Assunto da semana: O grande abismo de uma pátria de misses


Marcação apressada do Miss Brasil 2019 gera buraco

Organização Miss Brasil Universo/Divulgação/21.10.2016
Raíssa Santana, com a professora de inglês que a preparou para o Miss Universo 2016, nas Filipinas


A decisão da Rede Bandeirantes, confirmada na tarde desta quinta-feira (24), de que vai realizar o concureso de Miss Brasil 2019 no sábado seguinte ao Carnaval, 9 de março, vem cercada de preocupações. A primeira delas diz respeito ao buraco de exposição que a vencedora terá na mídia até a realização da 68ª edição do concurso de Miss Universo, no dia 15 de dezembro, em Seul. Serão nove longos meses sem que o Brasil saiba de fato quem será sua representante. Cultura de BBB, Faustão e novela das nove dá nisso. Vide o que ocorreu ano passado com Mayra Dias.
A tragédia do esquecimento criado pela mídia brasileira em cima da vencedora do Miss Brasil desde que aumentou o vácuo de sua realização em relação à do Miss Universo desde 2015 apenas denota o despreparo de uma imprensa canalha e irresponsável, preocupada apenas com a carniça, a suruba e os xingamentos gratuitos a petistas e artistas financiados pela Lei Rouanet (menos cantores sertanejos bolsonaristas). Mayra não venceu o Miss Universo por sua culpa e sim pelo comportamento canalha de nossos órgãos de imprensa, com verniz de Tenório Cavalcanti.
À semelhança do líder político da Baixada Fluminense, quem promove o Miss Brasil ou lida na mídia com ele deveria ter a responsabilidade de promover uma cultura de misses, difundindo suas histórias e preservando sua memória. Não se deve pensar na auri sacra fames que contamina a etapa nacional do Miss Universo. Desde 2015-16, se faz o Miss Brasil para dar caixa a uma empresa de televendas e não para formar uma vencedora de Miss Universo. Há problemas mais graves para o Miss Brasil enfrentar. Um deles diz respeito ao analffabetismo funcional das misses.
Para a Band, fazer o Miss Brasil 2019 agora, agora é sinônimo de prejuízo. Prejuízo de exposição que a sucessora de Mayra vai ter. E, principalmente, a ausência de uma preparação mais adequada. O trabalho de base nos Estados já era para ter sido feito há bastante tempo. Agora se traduz numa retórica de comédia pastelão de Lucile Ball deturpada por Datena, Boechat e outros boçais afins. O ensino da língua inglesa às pré-candidatas das disputas dos Estados enfrenta carências mais gritantes que as estatísticas do IBGE apontam. Bom final de semana a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (26/1)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Coluna da Semana, Concursos de beleza, Eventos, Nossas Venezuelas, Projetos especiais e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s