Relações entre Bolsonaro e o Grupo Globo estão estremecidas


Fim dos ministérios do Esporte e da Cultura atinge projetos da emissora e de canais do grupo financiados pela Lei Rouanet

Da redação TV em Análise

Fotos Sérgio Lima/AFP/Getty Images/01.01.2019 e Sérgio Zalis/Rede Globo/Divulgação/19.06.2017


Estão de mal a pior as relações do governo do presidente Jair Bolsonaro, 63, com pessoas, produtos e serviços de emissoras do Grupo Globo. Além de ter mandado afastar os repórteres da Rede Globo e da GloboNews da cerimônia de posse, obrigando as duas emissoras a fazer uma cobertura de bastidores há uma semana, o novo governo desferiu um duro golpe nos projetos financiados por leis federais de incentivo ao esporte e à cultura, que iam para a Globo e canais da programadora Globosat, além do Sistema Globo de Rádio, Globo.com e Editora Globo, dona dos jornais O Globo, Extra e Valor Econômico.
Nos governos petistas de Lula e Dilma Rousseff e de Michel Temer (MDB), a Globo se beneficiou de projetos dos ministérios da Cultura e do Esporte, extintos por Bolsonaro. Graças a eles, a emissora e canais da Globosat obtiveram benefícios para bancar projetos relativos ao legado da Olimpíada do Rio de Janeiro, realizada em 2016, e à produção de filmes, séries e minisséries para a Globo, Multishow, GNT e Sportv. O fim desses ministérios é um duro golpe para a Globo, que sempre mamou nas tetas das verbas publicitárias federais desde a ditadura militar decorrente do golpe de 1964, cujos asssasinos e algozes Bolsonaro fez questão de cultuar em seus 28 anos de mandatos seguidos na Câmara dos Deputados, passando por nove diferentes partidos.
A extinção do Ministério do Esporte comprometeu boa parte do Projeto Tóquio, que a Globo vem tocando a passos lentos. Sem as verbas federais, agora redirecionadas para uma secretaria do Ministério da Cidadania, ocupado pelo ex-deputado gaúcho Osmar Terra (MDB), 68, a exposição dos atletas olímpicos tem despencado sistematicamente. Com contratos vigentes com associações de 15 modalidades, a Globo tem penado em patrocínios para os eventos do ciclo olímpico, inclusive os Jogos Pan-Americanos de Lima, sublicenciados ao Sportv pela Rede Record para TV paga desde 2013.
Atores e diretores com contratos vigentes com os Estúdios Globo e com projetos de filmes em andamento da Globo Filmes, Canal Brasil e Telecine Productions reclamam que a extinção do Ministério da Cultura, criado no governo Sarney para desafogar o Ministério da Educação está atrasando a conclusão da filmagem de suas produções, bancadas por renúncias fiscais de empresas, previstas pela Lei Rouanet. É a mesma lei que beneficia cantores sertanejos que apoiaram Bonoro na campanha presidencial, como Eduardo Costa (Sony Music), Gusttavo Lima (Som Livre) e Luan Santana (Som Livre), para não citar uma lista extensa de intérpretes e compositores do gênero, que corre o risco de ter um novo afago presidencial, como ocorreu na brevíssima Era Collor (1990-1992).
A facada mortal que Bolsonaro deu no Ministério do Esporte coloca em perigo a manutenção do legado olímpico do Rio 2016. E da mesma forma coloca em xeque o desempenho de medalhas que o país tiver nos jogos de Tóquio, a serem realizados entre 24 de julho e 9 de agosto de 2020. De 17 medalhas conquistadas em Londres, em 2012, e 19 na capital fluminense, quatro anos depois, corre-se o risco de uma involução. O trabalho do presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Paulo Wanderley Teixeira, 68, que assumiu a entidade após a prisão do antecessor, Carlos Arthur Nuzman na Operação Unfair Play, com vistas a Tóquio 2020 corre sério risco sem o apoio federal direto. O “time de ouro da Globo” vai bater boca com Alexandre Frota, 55, ex-ator do departamento de novelas da Rede Globo, eleito deputado federal pelo PSL por São Paulo. Os gritos de Maureen Maggi e Hortência Macari pouco irão adiantar na posse do novo Congresso Nacional, marcada para a sexta-feira, 1º de fevereiro, para a 56ª sessão legislativa.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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