Assunto da semana: O que interessa à Rede Globo não é o Steve Harvey e os catrionans e sim o Dias Toffoli, o Medina…


Do terno esponja de aço de Steve Harvey ninguém fala

FOX/Divulgação via Getty Images/16.12.2018
A belga Zoe Brunet entrou por coincidência


No ao vivo e na reprise da 67ª edição do concurso de Miss Universo, o que mais me interessou não foi o Angel, ou melhor, a Angela Ponce ser ovacionada pela IMPACT Arena lotada em Bangcoc. Isso não me vem ao caso. Também não me vem ao caso o chapéu de malandro do Ne-Yo ao fim da apresentação final das três finalistas para a bancada de juradas. Juradas. Esquece Miss Independent. O que mais me chamou a atenção foi o terno Bombril que o apresentador Steve Harvey, 61, usou, feito sob encomenda, cheio de cristais. Mata produtor do VMA de infarto.
Por que o terno do apresentador do Miss Universo 2018 acabou sendo mais importante que seus poucos monólogos? Nenhum site ou portal deu atenção a esse detalhe. Preferiram puxar o saco e a cordinha da vencedora, a filipina Catriona Gray, 24, como naquele trenzinho do quase censurado Rio Babilônia de Neville de Almeida, filmado em 1982 e só liberado pela Censura Federal em 16 de abril de 1983. Saudades do Jardel Filho, da Norma Benguell e de uma época em que concursos de misses na televisão brasileira eram sinônimo de audiência e não de auri sucra fames.
Sem querer entrar nessa coisa mercenária, o figurino de Harvey foi coisa para irritar Elton John, Lady Gaga e outros tantos artistas que abusaram da excentricidade. Marilyn Manson incluso. Quem fez esse pandareco esquisito para Harvey não deveria nem se inscrever para o Primetime Emmy. Deveria levar troféu abacaxi do clã Bolsonaro ou medalha de lata. Antes que eu verta para o discurso verde que afastou a brasileira Mayra Dias, 27, das 10 semifinalistas nos desfiles de trajes de banho e trajes de gala. Em concurso de miss, discurso tem seu preço.
Retirando-se avisos da Monalysa Alcântara, o Miss Universo 2018 na televisão brasileira se mostrou uma negação. Desde a realização do concurso de 2011, em São Paulo, a mídia brasileira tem tratado o concurso como coisa sem nenhuma importância. E se Mayra tivesse vencido? Como ficaria? Disputaria capas de jornais com o Gabriel Medina? O Dias Toffoli? O Marco Aurélio Mello? Aquele cidadão agredido pelo Alexandre Frota em uma diplomação de deputados eleitos? É com essa “ética jornalística” que o Brasil vai para 51 anos sem títulos. Bom sábado a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (22/12)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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