Eleição de Catrona Gray como Miss Universo 2018 escancarou corrupção e favores para tentar realizar concurso nas Filipinas


MUO cedeu ao fisiologismo de Duterte

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Lillian Suwanrumpha/AFP/Getty Images/17.12.2018
O lado obscuro do sucesso catrioniano


Por trás da eleição de Catriona Elisa Magnayon Gray, 24, como Miss Universo 2018 na manhã da segunda-feira (17), na IMPACT Arena, em Bangcoc, está o resultado de um amplo esquema de cooptação de missólogos e de matérias pagas na imprensa das Filipinas para favorecê-la. Não apenas na sua eleição. Mas muito antes dela. Pouco depois de sua eleição como Miss Universo Filipinas 2018, no dia 18 de março, em Quezón City (região metropolitana de Manila), já eram intensas as tratativas para que as Filipinas sediassem a 67ª edição do concurso de Miss Universo. Em maio, veio a público o escândalo de corrupção que derrubou a então chefa do Departamento de Turismo, Wanda Teo, acusada de favorecer uma empresa de publicidade do irmão em espaços na TV pública do país, a PTV, em troca de anúncios do DOT na programação da emissora.
A queda de Wanda Teo colocou por terra o plano filipino de sediar o Miss Universo 2018, mas não a preparação de Cartiona para o concurso. As viagens da antecessora, a sul-africana Demi-Leigh Nel-Peters, 23, ao país entre março e abril não serviram para nada. Também de nada adiantou o almoço oferecido pelo empresário Chavit Singson, 77, à presidenta da Miss Universe Organization, Paula Shugart. A negativa de Bernadette Puyat, sucessora de Wanda Teo no DOT, para a realização do Miss Universo 2018 em território filipino fez Chavit agir em outras frentes. Emplacou a filha, a arquiteta Richelle Louise Singson-Michael como integrante do Comitê de Seleção do concurso em troca da eleição de Catriona.
Chavit também agiu nos bastidores para que Bangcoc sediasse o concurso. Usou seus parceiros locais de negócios para arregimentar investidores para bancar os US$ 12 milhões necessários para a realização do Miss Universo 2018 na “panela de arroz do Sudeste Asiático”. Viajou com o presidente Rodrigo Duterte, 73, para Seul, no final de maio, para arregimentar os detalhes de um acordo de distrato da sede filipina em favor de outro país asiático que se dispusesse a receber o certame. China, Coreia do Sul, Tailândia e Vietnã mostraram interesse em receber a 67ª edição do Miss Universo. Só a proposta tailandesa interessou à Miss Universe Organization. Mônaco e Peru já tinham ficado pelo caminho.
A escolha de Bangcoc para sediar o Miss Universo 2018 foi um toma lá dá cá explícito em troca da eleição de Catriona Gray, envolvendo agentes públicos, empresários e influenciadores digitais pagos pela Binibining Pilipinas Charities para manipular o resultado do certame. Fizeram isso desde que os nomes do Comitê de Seleção, todo de mulheres, foram anunciados. E já agiam mesmo antes de suas concorrentes diretas, como a brasileira Mayra Dias e a sul-africana Tamaryn Green, terem vencido seus concursos nacionais.
Com Catriona eleita Miss Universo 2018, o governo filipino já pode colocar em prática o plano de Bernadette quando abriu mão da sede do Miss Universo 2018: só voltar a realizar o Miss Universo em território filipino se alguma candidata do país vencer. E foi o que acabou acontecendo em uma das pontas. Na outra, o DOT só deve entrar em ação em janeiro, depois que Gray for homenageada em Manila com as honras oficiais devidas e a acolhida das ruas. A sede do Miss Universo 2019, seja em Quezón ou Pasay, já está na mira. Os missólogos que inflaram o Instagram de Catriona de 500 mil para 2 milhões de seguidores em menos de uma semana já começaram a trabalhar. Depois da desconstrução da imagem de suas concorrentes, a ordem é positivar as Filipinas mais uma vez, apesar do fardo que Duterte carrega junto à comunidade internacional de violador dos direitos humanos e governante corrupto.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Corrupção, Corrupção nos concursos de beleza, Jóia da coroa, Outras Venezuelas, Projetos especiais, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Eleição de Catrona Gray como Miss Universo 2018 escancarou corrupção e favores para tentar realizar concurso nas Filipinas

  1. Rubens disse:

    O concurso valoriza empoderamento e na prática revela que esse dispositivo não passa de farsa. Quem acompanha concurso fica 0% chocado com a matéria. O mais grosseiro é imaginar como o capitalismo e sua mentalidade predadora ignora fascismos, violação de direitos humanos e etc.

  2. Beniria Alves disse:

    Não vi emoção nenhuma da parte dela, parecia que já sabia do resultado, foi notório .

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s