Aos 16, projeto de misses da Band mostra sinais de desgaste


Sem romantismo da ‘era Jose’, transmissão do Miss Universo 2018 chega ao fundo do poço

Da redação TV em Análise

Jose Jimenez/Primera Hora/Getty Images/30.05.2002
Ruth Ocumarez, Deus e o diabo na terra do Sol


Há muito o que fazer para a Rede Bandeirantes tentar devolver a aura de audiência que perdeu com o pacote de concursos de beleza comprados em 2003 da Miss Universe Organization, ainda na gestão de Doanld Trump. Só o fato da amazonense Mayra Dias, 27, ter ficado entre as 20 semifinalistas não quer dizer muita coisa para demonstrar a saturação que o telespectador já sente pelos concursos de misses da emissora. O público quer uma nova emissora transmitindo o Miss Brasil, o Miss Universo e os concursos estaduais, mas essa mudança não é para já. Aliás, já era para ter sido feita. E desde 2015, a IMG tem feito ouvidos moucos ao descalabro da coordenação brasileira.
Embalada em março de 2003 pela “onda Jose” após a participação da Miss Brasil de 2002 na terceira edição do Big Brother Brasil Da Globo, a Band comprou os direitos do Miss Brasil e do Miss Universo, que estavam nas mãos da Rede TV!. Arregimentou um atropa de apresentadores para promover o relançamento do concurso, no dia 26 de abril, na Via Funchal. Teve ali um dos únicos bons momentos de audiência do Miss Brasil. Para o Miss Universo, a cornetada do nome de Gislaine Ferreira para a disputa do título foi pequena. Finda sua participação na Cidade do Panamá, a Band chamou a mineira eleita por Tocantins para participar de programas e deixou por conta da Gaeta o resto do circo de mídia, que incluiu o SBT, casa dos dois concursos até 1989. A década de 1990 foi toda perdida.
Joseane Procasco Guntzell de Oliveira, a Jose, 37, perdeu a coroa de Miss Brasil na Rede Globo, especialista em derrubar ministros nos governos militares e assassinar reputações após a redemocratização de 1985, Eleita Miss Brasil 2002 na noite de 13 de abril na boate Ribalta, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio de Janeiro), Jose conseguiu a vaga para representar o Brasil na 51ª edição do Miss Universo, realizada no dia 29 de maio de 2002, no Coliseu Roberto Clemente, em San Juan, capital de Porto Rico. Não se classificou entre as 10 semifinalistas. Assim como Jose, a vencedora do Miss Universo 2002, a russa Oxana Fedorova, então com 24 anos, também dançou: em 29 de agosto de 2002, a MUO de Trump declarou seu título vago e passou a coroia para a segunda colocada, a panamenha Justine Pasek, Foi o presente que ela recebeu ao comemorar seus 23 anos, em uma coletiva de imprensa, realizada às pressas em Nova York para a mudança abrupta.

Jose Jimenez/Prmera Hora/Getty Images/28.05.2002
Com a chilena Nicole Rencoret

A nudez de Jose nas páginas da edição de março da revista Playboy foi o combustível que a Band achou para negociar os direitos de transmissão do Miss Brasil e do Miss Universo. Com a Gaeta Promoções e Eventos, fechou um contrato de cinco anos, renováveis por mais cinco. Na prática, a emissora ficaria com o Miss Brasil, de início, até 2012, o que acabou acontecendo. A Gaeta fez o que o Diabo mandou no Miss Brasil e nos concursos estaduais.
Saída de uma cultura de Tiazinha e Feiticeira, a Band encontrou nas misses o consolo para a saída da casa das atrizes e modelos Suzana Alves e Joana Prado. Sem seus símbolos sexuais, a Band surfou nas curvas, nos peitos, na bunda e na vagina de Jose para achar a inspiração necessária para dar a ignição no projeto do Miss Brasil. Foi o mesmo caminho que o SBT fez em 1981, ainda no ventre do processo de redação do contrato de sua concessão, quando fez a TCS do Rio de Janeiro e a Record TV de São Paulo formarem uma rede improvisada, com afiliadas órfãs do espólio da Rede Tupi. A mesma gambiarra mostrou o Miss Universo 1981, em 19 de julho. Um mês depois, o SBT de Sílvio Santos, 88, estava oficialmente no ar.
Os anos se passaram e a transmissão do Miss Brasil na Band foi perdendo audiência, mesmo com os espasmos de Grazi Massafera, em 2005, e a onda do vice de Natália Guimarães no Miss Unioverso 2007. A realização do Miss Universo 2011 em São Paulo é até hoje a maior dor de cabeça que a Band já enfrentou com a MUO. Equipamentos retidos na alfândega, empresa formada às pressas para organizar o concurso, escândalos de corrupção em concursos estaduais. Essa foi a herança maldita do legado deixado pela 60ª edição do Miss Universo, que deu a maior audiência do concurso no país. Na 67ª edição, vencida pela filipina Catriona Gray, 24, a Band respirava por aparelhos à 0h12 na Grande São Paulo. Tinha nesse horário 1,5 ponto de audiência, de acordo com a Kantar Ibope Media. Àquela altura, o concurso estava no resumo da antecessora, Demi-Leigh Nel-Peters, 23. Os números consolidados da transmissão do certame devem ser divulgados nas próximas horas.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Crônicas, Cult, Ibopes da vida, Nossas Venezuelas, Projetos especiais, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s