Assunto da semana: Dez anos de Lady Germanotta no Vietnã


A Gaga do Golden Globe já cantou no Miss Universo

Gaye Gerard/Getty Images/14.07.2008


Há exatamente uma década, Stefani Joanne Angelina Germanotta cantava em um resort de Nha Trang (1.290 km ao sul de Hanói) durante o segmento de traje de banho da 57ª edição do concurso de Miss Universo. Nascia ali Lady Gaga. Começavam a se traçar ali os caminhos de uma trajetória de êxitos e premiações, cujo primeiro ponto alto se verificou na manhã desta quinta-feira (6), ao receber duas indicações para o 76º Golden Globe Awards. Como atriz e compositora de Shallows, da trilha de Nasce uma Estrela. Coincidentemente, uma ponte sobre seu começo.
Então com 22 anos, Lady Gaga atraía o mundo com sua Just Dance. Fez a música chegar a paradas radiofônicas. Suas maquiagens excêntricas e roupas idem arrastaram legiões de “little monsters”, para não confundir com monstrinhos ou homicidas de programas policiais de bolsonaristas babacas e retardados mentais hospedados na Câmara dos Deputados. Virou fenômeno de massas. Se tornou caso de estudo de intelectuais da música e isca para produtores de televisão (Ryan Murphy, de American Horror Story) e de cinema (Bradley Cooper, diretor de Nasce…).
Em uma década, Lady Gaga lotou arenas, fez concertos de ingressos esgotados, pavimentou um terreno na indústria cultural que nem os irmãos Kardashian de realities conseguiram (Kim é uma péssima cantora, para começar). Às portas de ir para o Rock in Rio, Germanotta integrou a massa de artistas que fez (e ainda faz) a resistência contra o governo de Donald Trump, dono do Miss Universo à época em que a desconhecida Gaga cantou no Vietnã. Fez um show de intervalo do Super Bowl, a decisão do futebol americano profissional. Jogou Trump na furna da onça.
Aos 32, Lady Gaga é uma artista consolidada. Fez de sua aparição no Oscar de 2017 seu teatro. Expressou a tragédia humana do estupro. Verteu lágrimas enquanto cantava ’Til Happens to You, coescrita por Dianne Warren. Fez aparecerem os sobreviventes dos abusos escolares. Gaga sabe usar sua música como ferramenta de denúncia. A transforma em metralhadora giratória de um discurso contra a misoginia extremista do supremacismo que alçou Trump à Casa Branca. O mesmo Trump que dirigiu o Miss Universo. Gaga começa a colher o que de melhor plantou. Até sábado.

Gaye Gerard/Getty Images/14.07.2008


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (8/12)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Coluna da Semana, Eventos, Premiações e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s