Assunto da semana: A obsolescência de um show de esquete


Humor de Key and Peele é mais do mesmo da subversão

Comedy Central/Divulgação


Liberada para exibição internacional pelo Comedy Central, a primeira temporada de Key and Peele (5ª feira, 22h30, 16 anos) tem piadas velhas, datadas. O programa em si já acabou. Não vejo razão alguma para tratar do humor de Jordan Peele e Keegan Michael Key. Do primeiro, só o fato de ter ganho Oscar de roteiro original em fevereiro já deu gás para a Viacom ordenar a exibição dos excertos de K&P para o resto do mundo. Quem acompanhou a dupla apresentando categorias em edições do Primetime Emmy já denotou alguma coisa. Com o programa no ar, vai notar.
Em cinco temporadas, muita coisa aconteceu: Trump foi eleito presidente, Obama cumpriu segundo mandato, a guerra ao terror continuou. Estamos em dezembro de 2018. Em tempo de fake news e hackers russos, ver Key and Peele é a mesma coisa que achar suas piadas nos escombros e cinzas do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, na zona norte do Rio de Janeiro. Nem a UNESCO, tampouco a Fundação Roberto Marinho vão achar traços de atualidade naquele troço. É uma espécie de Luzia dos programa de esquetes americanos pré-Trump e intimidações afins.
Quem não acompanhou nada de Key and Peele nos seus anos de exibição americana muito perdeu em termos de piada. Perdeu muito em termos de consistência. Perdeu muito do que poderia ter acompanhado, não fossem as chicanas de programação do Comeduy Central fora dos Estados Unidos. Do segundo episódio, já se notava muito da corrosão humorística a que a dupla já se propunha. Virou uma sucata de ideias, que Peele converteu no filme policial Corra!, por ele roteirizado. E Key? O que tem feito? Roteirizar outro filme como o parceiro fez para levar Oscar?
Pasmem, sou de uma época que Chelsea Handler tinha programa diário de entrevistas, colocando medo no establishment. Tô fora de sintonia. Me desculpem. A desinformação acerca de conteúdos humorísticos noves fora a bravata de Steve Harvey em uma edição do Miss Universo colocou um buraco de essência restringido pelo sistema de comédias roteirizadas tradicionais de 30 minutos. Key and Peele se enquadra nesse caso, mas como programa de esquetes, não série cômica. Essa é uma coisa. A outra é se prender ao óbvio, o que K&P não querem. Até sábado.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (1º/12)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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