Assunto da semana: Entre escombro e crooners de Homeland


Os tempos modernos de FBI não são a sombra do passado

Michael Parmelee/CBS/Divulgação


Na década de 1960, a ABC levou ao ar uma série chamada The F.B.I., assim mesmo escrita, com os pontos, em preto e branco. Os tempos mudaram, algumas cabeças foram trocadas tanto no campo da atuação, direção e roteiro, quanto nos cargos de direção das redes abertas americanas. Os canais americanos se internacionalizaram ao invés de apenas mandar conteúdo para as emissoras internacionais na LA Screenings. A mentalidade de Dick Wolf, 71, mudou de Law & Order para FBI (Universal TV, 3ª, 22h, 14 anos), Passou do crime para o terrorismo islâmico.

Michael Parmelee/CBS/Divulgação

Essa dosagem de Homeland, se não soa redundante, para a CBS soa como música dos outros cantada pelo Donny Osmond no Miss USA 1981 por ela transmitido. Reduz Missy Peregrym, Jeremy Sisto e Sela Ward a crooners de um enredo de estacas já batidas desde 2011 pela Showtime, empresa parente da CBS, e pela Fox 21 Television, às vésperas de virar propriedade da Disney. Da Disney que já é dona da ABC, da ESPN, dos Muppets, do Mickey, da Minnie, et caterva. Enxerta suas competências artísticas a mero papel carbono passado a torto e a direito.

Michael Parmelee/CBS/Divulgação

Da bomba do prédio do trailer a este texto, nada sobrou de essência. Em FBI de Wolf dos Chicagos, se nota a máquina xerográfica de enredos batidos, os quais os canais pagos premium se encarregam de reparar com outros produtos. A mesmaria de Carrie Mathison já não cola mais para ditar padrão desse ou daquele projeto que as redes abertas recebem nesta época do ano. Aguarde o panorama de roteiros para que o leitor denote em que pá vai andar a escavação de ideias de dramas policiais de cunho terrorista, Estado Islâmico de brinde e PT, MST e MTST não inclusos.
De duas, uma: ou a televisão aberta norte-americana tenta alguma sacada para retomar no Primetime Emmy o terreno tomado em premiações por canais pagos e serviços de streaming ou tudo vai ficar na obscolescência a la The Big Bang Theory, aquela comédia que não bota episódios online por razões estratégicas. É comportamento infantil que, para FBI já não foi aceito. Mesma atitude a CBS já tomara com especiais e outras séries do ciclo televisivo passado. Dick Wolf precisa ter alguma carta na manga para convencer a Academia e sindicatos. Bom sábado a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (17/11)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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