Assunto da semana: Tim Acosta virou Chico Buarque da CNN


A tirania de Trump ante o recado das urnas e da imprensa

Jeff Mason/Reuters/07.11.2018


Tive a oportunidade de ver em três frentes de streaming a declaração do presidente norte-americano Donald Trump, 72, sobre os resultados das eleições parlamentares da terça-feira (6), que praticamente selaram o fim de sua reeleição em 2020. Na falta de aceitar a divergência de pontos de vista, como a do repórter Jim Acosta, 47, a serviço do canal de notícias CNN, Trump, dono da empresa organizadora do concurso de Miss Universo entre outubro de 1996 e setembro de 2015, expressou toda sua agressividade verbal ao ameaçá-lo de forma bolsonariana. Viva o Brasil!
Na mesma semana em que Trump moveu o dedo contra a principal referência internacional de notícias desde a Primeira Guerra do Golfo, em 1991, o SBT colocava no ar peças de propaganda exaltando a eleição do capitão reformado Jair Messias Bolsonaro, 63, para a Presidência da República. Desde 28 de outubro, Bolsonaro tem se recusado a dar entrevistas exclusivas à Rede Globo de Televisão, primazia que vigorava desde o governo do general Castello Branco. E assim seguiu com Costa e Silva, Médici, Geisel, Figueiredo, até desembocar no telefonema a Tancredo.
Desnudar as atitudes de Trump em relação a jornalistas que cobrem seu governo não é tarefa de modelos como Karen McDougal e atrizes pornográficas como Stormy Daniels. É dever de ofício de todo jornalista político que se preze. Enquanto evento televisivo, a resposta de Trump remeteu a um mea culpa pela falta de apoio dos correligionários regionais na disputa de assentos da Câmara de Representantes. Foi o mesmo gosto amargo que Geisel teve em 1974, quando a Arena, partido de sustentação da ditadura, perdeu para o MDB as eleições para o Senado em 16 dos então 21 Estados.
Ted Turner criou a CNN em 1980. Nessa época, Trump era um corretor imobiliário que vinha fazendo fortuna, mais fortuna até sua família chegar ao que é. Em seus 38 anos, a CNN tomou parte em guerras, eleições de outros países (inclusive no Brasil), desastres naturais e grandes investigações jornalísticas. O papel da CNN em tempos de Trump deve ser tomado como mais que relevante. A Bloomberg é um canal de economia, repicando o óbvio. E os correspondentes das redes abertas brasileiras fazerem o que Flávio Ricco descreveu como “arataca”. Bom sábado a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (10/11)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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