Assunto da semana: O brinde de um Bones ao novo trabalho


Calado, Boreanaz é um poeta de chá em SEAL Team

Cliff Lipson/Watch!/CBS/Divulgação
Estilo: Robert Bolger Flanela: Dixxon T-Short by RRL


Passamos as temporadas de Bones acostumados a ver o ator David Boreanaz, 49, com sua voz vedada por uma dublagem brasileira que não me interessa. Nem a mim, tampouco à FOX, canal que a exibiu. Em SEAL Team (AXN, 5ª, 22h, 14 anos), desnudo a dublagem de Boreanaz e o escuto da forma como deve ser: de voz clara, suave, limpa, muito leve. Via de regra vale para Bruce Willis, Rato da Gata e seus filmes de ação mais duros de matar que a candidatura do Jair Bolsonaro e suas doações sinistras via WhatsApp vindas do estrangeiro. Pronto, falou cara.
Mesmo que eu emudecesse a televisão, Boreanaz, que interpreta um militar da unidade especial da Marinha americana destinada a ações de guerra anti-terrorismo (não interessa a terminologia que seja), sairia mais interessante que na capa e ensaio da revista Watch!, do Departamento de Divulgação da CBS, vendida em bancas de supermercados junto com os tabloides de fofocas e o National Enquirer, jornaleco pró-Trump especializado em escandalização mórbida e escrota. Boreanaz se sai bem como o capitão Jason Hayes, mesmo que fique calado.
Antes destinado a Jim Caviezel (Person of Interest), o papel de Hayes caiu como uma luva para Boreanaz, que acabara de sair de 12 temporadas de Bones (incluindo-se aí a minissérie de despedida). Ao contrário de ex-colegas de elenco como Emily Deschanel, 42, Boreanaz nem teve tempo de descansar a imagem na televisão: era pegar ou largar a oportunidade. Nos tempos de Les Moonves, a CBS não gostava que gente como Boreanaz ficasse largada no mercado, fazendo filmes ruins, desastrosos de bilheteria e alvos fáceis da exigência da crítica especializada, Seria o fim.
Do segundo episódio, Other Lives, não depreendi nada da essência da produção artística. Antes chamada de Navy SEAL, a trama recebeu o nome de SEAL Team para não mexer na origem de NCIS, que era NCIS Navy, em 2003. Nada além de obviedade padrão Homeland, além de outras coisas capazes de esquentar a cabeça do telespectador mais atento. Um ano de atraso em relação à exibição americana não foi problema para quem esperava de Boreanaz um trabalho à altura. A este, não se deve servir pães amanhecidos e jornais com fake news. Bom sábado a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (20/10)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Coluna da Semana, Séries e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s