A 67 dias da realização da final do Miss Universo 2018, faltam informações de quem vai pagar conta do cocurso na Tailândia


Censura à imprensa atrapalha transparência nos gastos e deixa MUO preocupada

Da redação TV em Análise

Athit Perawongmetha/Reuters/31.07.2018


A organização da 67ª edição do concurso de Miss Universo em Bangcoc está sendo marcada pela total falta de transparência com os gastos de patrocínios e, principalmente, com a censura severa imposta pela junta militar que passou a governar o país após o golpe de 2014, que derrubou o então primeiro-ministro interino Niwatthamrong Boonsongpaisan, 70. Desde então, o país é governado pelo general Prayuth Chan-ocha, 64, que foi encarregado de receber com honras oficiais a comitiva da Miss Universe Organization, no dia 31 de julho.
Tanta pompa dada para receber a Miss Universo 2017, Demi-Leigh Nel-Peters, 23, e diretores da MUO, somados ao empresário Tanawat Wanson, investidor individual da realização do certame na Tailândia, fez gerar dúvidas entre missólogos, coordenadores nacionais e candidatas. Como a Tailândia está gastando US$ 12 milhões para organizar um concurso se não tem a certeza de que arranjou os patrocinadores necessários? Quem é Tanawat Wansom? Quem é Dhanin Chearavanont? Como o governo vai conseguir promover o Miss Universo 2018 na Tailândia debaixo de um ambiente de censura à imprensa e à Internet, que preocupam organizações de direitos humanos como a Anistia Internacional?
A lei marcial reformulada em março, de início, não preocupou a direção do Miss Universo. Quando as negociações com China, Coreia do Sul e Filipinas fracassaram, a MUO passou a trabalhar com sua realização na Tailândia. Assinou um contrato com a TW Investment Group, empresa de Tanawat, mas não teve até agora respostas sobre apoio estatal e patrocínios privados. Empresas que estavam interessadas em patrocinar o Miss Universo 2018 na Tailândia já começaram a se preocupar. A desinformação é tanta que fica impossível estimar até mesmo o número de jornalistas que estarão em Bangcoc para o certame.
Quando acompanhamos as negociações para Manila sediar o Miss Universo 2016, vimos as Filipinas terem se transformado de uma ditadura sanguinária, em 1974, para a democracia, quando realizou o concurso de 1994. Apesar das críticas, Rodrigo Duterte, 73, conseguiu receber as misses no palácio presidencial e evitou ao máximo colocar a cara na final televisionada. A FOX o cortou do roteiro de transmissão. Não se podia politizar um erro (o que beneficiou Pia Wurtzbach) em nome de oportunismo governamental. No Miss Universo 2018, ocorre fenômeno inverso na Tailândia – viveu ema democracia quando Jennifer Hawkins passou a faixa e a coroa para Natalie Glebova em 31 de maio de 2005. Um ano após a 54ª edição do Miss Universo, o então primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, 69, foi derrubado por um golṕe militar, acusado de corrupção. O Miss Universo 2005 foi o Último Baile da Ilha Fiscal de Shinawatra, como no quadro de Aurélio de Figueiredo.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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