EXCLUSIVO: Rede Globo pagou US$ 15 milhões à CBS pelo silêncio do Miss Universo na mídia brasileira nos anos 1990


Emissora impediu que brasileiros soubessem quem tinha vencido o concurso no período

Da redação TV em Análise

Romeo Gacad/AFP/Getty Images/20.05.1994


A Rede Globo de Televisão pagou à Miss Universe Inc. e à emissora americana Columbia Broadcasting System (CBS) US$ 15 milhões para que nenhuma informação sobre o concurso de Miss Universo fosse divulgada na imprensa brasileira nos anos de 1990 a 2001. A revelação foi feita ao TV em Análise Críticas por um ex-executivo da emissora carioca, que pediu anonimato. De acordo com esse executivo, a Globo desembolsou a quantia, em valores atualizados de R$ 57,01 milhões, para impedir que jornais brasileiros noticiassem o andamento dos concursos de Miss Universo nos anos de 1991 a 2001, sob pena de serem denunciados a órgãos como Conar, Abert, ANJ e ANER.
De acordo com o relato do ex-dirigente global, a Bloch Editores, dona da revista Manchete, e a Editora Abril, que publica a revista Veja, teriam violado o pacto proposto pela Globo, de não noticiar nada sobre nenhum concurso de beleza na mídia brasileira. A medida atingiu apenas os concursos da família do Miss Universo, mas não impediu que outros concursos como o Miss Mundo, tivessem algum tipo de tratamento, como a Rede Bandeirantes fez em 1991. Se orquestrou a partir de então uma verdadeira operação de manipulação midiática, liderada pela Globo, pelo Sistema Globo de Rádio e pelo jornal O Globo para barrar qualquer informação sobre concurso de beleza. A proibição se estendeu a jornais do interior, capitais dos 26 Estados e do Distrito Federal. No entanto, órgãos de imprensa do Rio Grande do Sul filiados à Abert e ANJ desobedeceram à orientação nacional ditada pela família Marinho e seus setores políticos de ocasião, incrustados no Judiciário e no Congresso Nacional, principalmente de políticos do PT presos pela Operação Lava Jato.
A Globo usou de jornalistas da velha mídia como Ferreira Netto, Zózimo Barroso do Amaral e Ricardo Boechat para orquestrar uma operação para impedir o SBT de realizar o concurso Miss Brasil 1990. De acordo com fontes da emissora paulista, a versão que prevalece até hoje é de que o dono da emissora, Sílvio Santos, 87, teria manifestado desinteresse em tocar o concurso, ainda durante a campanha presidencial fracassada de 1989, restrita ao horário eleitoral. Após a venda da Rede Record ao bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Sílvio teria dito a diretores do SBT que “não dá mais”, estava desistindo de promover o Miss Brasil. Mas esqueceu que tinha dois anos de contrato a cumprir com a Miss Universe Inc.. Por contrato, teria de fazer o Miss Brasil nos anos de 1990 e 1991. Mas Senor Abravanel já se mostrava pouco confiante com a obrigação de tocar aquele que foi um dos carros-chefes de sua programação ao longo dos oito primeiros anos de SBT. Por pior que fosse a audiência do Miss Brasil, do Miss Universo ou de algum concurso estadual, alguém teria de ser escalado pelo SBT para apresentar os certames. A equipe de coordenação liderada por Marlene Brito tinha de estar a postos, mas o Plano Collor, apoiado pela Globo, pôs todo o projeto do Miss Brasil 1990 a perder. A posse de Fernando Collor, em 15 de março de 1990, aparentemente dava sinal de que tudo iria dar certo para o SBT nas tratativas com Nova York. Mas não, No dia seguinte, a então ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello, assentou a pá de cal nas pretensões brasileiras de ter candidata na 39ª edição do Miss Universo, que ocorreria no dia 15 de abril, no Shubert Theatre, em Los Angeles. A Globo matou o sonho de miss das brasileiras a partir de então. Impediu que jovens mulheres tentassem dar aos brasileiros a alegria de um título internacional de beleza. Agravou ainda mais o jejum brasileiro de vitórias no Miss Universo, que já durava 22 anos.
Procuradas pela reportagem do TV em Análise Críticas, a assessoria do Grupo Globo e a Central Globo de Comunicação não retornaram os pedidos de perguntas sobre o acordão que fez com a maior rede de televisão dos Estados Unidos para privar os brasileiros do principal concurso de beleza do mundo. Na época, a CBS era a terceira em audiência.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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