Assunto da semana: O que acontece em Vegas, acaba em NYC


Piloto de Deception é coisa de diretor para intelectual assistir

David Giesbrecht/ABC/Divulgação


Não gostei do que vi na estreia de Deception (Warner, 3ª, 22h30, 12 anos), chamada de O Truque de Black. Dirigido por David Nutter (do piloto do remake de The Flash), Deception (não confundir com outra série de 2013, da NBC, com Meagan Goode) se mostrou um engôdo na pensata do ilusionista que soluciona crimes para o FBI. Onde? Na Conchichina? Na casa da sogra? Me desculpe. O truque do ilusionista Cameron Black se tornou um verdadeiro David Copperfield de picaretagens de enredo, concepção artística e aberração de efeitos visuais. Uma agressão só.
Do momento que puxei a ficha de Nutter na Wikipedia, percebi que o truque de Black não passava de coisa de diretor, feita para esses intelectuais e “sábios” do PSDB assistirem. Perto desse Asdrúbal Trouxe o Provolone Estragado pela Máfia da Merenda, a mágica de Cameron Black, aqui interpretado por Jack Cutmore-Scott, 31, vindo de um fracasso da FOX, remeteu à “Ponte para o Futuro” do estelionato eleitoral de Temer e cia. Na verdade, Deception remeteu ao passado obscuro de Copperfield que o Fantástico desnudou na sua arte de enganar as pessoas.
Do momento em que Black fez ressurgir um avião destroçado (poderia ser a Selecinha do Adenor, vulgo Tite), não me interessei mais em ver o piloto desse show de picaretagem chamado Deception. Sua escrita é prodiga em baboseiras, vazia em termos de atração de telespectadores, rasa em termos de enredo e péssima em termos de continuidade. É uma farofa de asneiras comportada por um diretor de série de super-herói de quadrinhos, ambientada em Las Vegas. Logo, a capital mundial dos grandes shows de mágica de gente séria, como a dupla Penn & Teller.
Cidade do pecado, Las Vegas não quis se prestar a ser cenário de uma babaquice que a ABC incrustou como pós-show do American Idol. Ficaria ruim para as autoridades de turismo locais serem associadas a tamanho besteirol. Séries e mais séries foram filmadas por lá. Mas nenhuma da tenacidade idiota e sem sentido desse besteirol chamado Deception. Por respeito aos anunciantes, a emissora mandou acabar com essa palhaçada antes do upfront que realizou, no dia 16 de maio. O telespectador merece shows melhores de mágica roteirizada. Bom final de semana a todos.

Giovanni Rufino/ABC/Divulgação


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (9/6)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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