Custo de organização de edições do Miss Universo fora dos Estados Unidos ficou 213.43% mais caro em relação a 1988


Mudanças implantadas na gestão Trump encareceram o concurso

Da redação TV em Análise

Yasuyoshi Chiba/AFP/Getty Images/12.09.2011


O custo de realização de edições do concurso de Miss Universo fora dos Estados Unidos foi às alturas depois que a sua administração mudou da Procter & Gamble para o grupo de investidores liderado pelo atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, 71, em maio de 1996. Desde então, os gastos com a realização do certame fora do território americano triplicaram ou quadruplicaram, a depender do caso. Na comparação específica com São Paulo, que sediou o Miss Universo 2011, o custo de organização em comparação ao veroficado em Taipé, em 1988, triplicou. A constatação é de um estudo feito pelo TV em Análise Críticas, baseado em informações do Sashes&Scripts e de fontes independentes, como órgãos de imprensa e do Judiciário.
Edição mais cara do Miss Universo, a de Moscou, realizada em 9 de novembro de 2013 ficou 213,43% mais cara que a realizada em Taipé, no dia 24 de maio de 1988. Os valores se referem basicamente a gastos com organização, pagamento de direitos à Miss Universe Organization, royalties de marca do concurso e oferecimento de infraestrutura logística e de comunicações. Esse custo não inclui o pagamento de direitos televisivos e de mídias digitais, que só viria a ser embutido no Miss Universo 2016, realizado em Manila.
Controladora do Miss Universo desde setembro de 2015, a Endeavor herdou da Trump Organization o ônus de ou arcar com edições do Miss Universo realizadas em cidades americanas ou ceder às ofertas de governos, como a do governo do presidente filipino Rodrigo Duterte, 73. Para a 65ª edição do Miss Universo, as Filipinas gastaram US$ 15 milhões, em valores atualizados. O governo Duterte diz não ter usado um centavo dos cofres públicos no concurso. Os custos foram cobertos por seis grupos provados, que formaram o Comitê Organizador Filipino (PHC, na sigla em inglês).
Em relação ao Miss Universo 1988, transmitido pelo SBT, o Miss Universo 2011 organizado e gerado pela Band para 196 países e territórios, teve um custo 153,73% maior. A brincadeira brasileira de sediar o Miss Universo custou caro aos cofres do Grupo Bandeirante de Comunicação, que teve de fechar a empresa que organizou o Miss Universo no país, a Enter, em janeiro de 2016, em meio a uma reorganização estrutural. Procurada pela reportagem do Críticas, a assessoria da Band disse que não irá mais comentar sobre os gastos do Miss Universo 2011. Então, como explicar custos tão absurdos para sediar o Miss Universo? Os números abaixo respondem

 
Ano Cidade-sede Custo em US$
1988 Taipé 6,7 milhões
1989 Cancún 5,5 milhões
1990 Los Angeles 2,8 milhões
1991 Las Vegas 2,9 milhões
1992 Bangcoc 9,3 milhões
1993 Cidade do México 5,9 milhões
1994 Manila 5,3 milhões
1995 Windhoek 5,9 milhões
1996 Las Vegas 5,5 milhões
1997 Maimi Beach 5,5 milhões
1998 Honolulu 3,3 milhões
1999 Chaguaramas 10 milhões
2000 Nicósia 15 milhões
2001 Bayamón 10 milhões
2002 San Juan 10 milhões
2003 Cidade do Panamá 10 milhões
2004 Quito 15 milhões
2005 Bangcoc 20 milhões
2006 Los Angeles 5,5 milhões
2008 Nha Trang 20 milhões
2009 Nassau 10,5 milhões(*)
2010 Las Vegas 3,7 milhões
2011 São Paulo 17 milhões
2012 Las Vegas 3,8 milhões
2013 Moscou 21 milhões
2014 Doral/Miami 2,9 milhões
2015 Las Vegas 2,1 milhões
2016 Manila 15 milhões
2017 Las Vegas 3,9 milhões(**)

(*)Estimativa do governo local
(**)Incluiu o reforço de segurança para as candidatas, em função do massacre do Mandalay Bat, no dia 1º de outubro de 2017

De acordo com fontes da MUO, o país que se interessar em sediar o Miss Universo 2018 terá de pagar, no mínimo, US$ 5 milhões pelos direitos de sediar, mais US$ 5 milhões em royalties de marca do concurso e outros R$ 7 milhões a serem oferecidos em logística, transporte e estadia das candidatas e equipes de produção. A Endeavor estima que essa conta passe dos US$ 12 milhões, ao final das contas a serem acertadas com o país-sede.
Grupos de investidores da Coreia do Sul, Tailândia e Vietnã já acenaram à MUO com propostas não oficiais para sediar o Miss Universo 2018. Esse panorama foi traçado pela presidenta da entidade, Paula Shugart, na visita recente que fez a Manila.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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