Em 1992, Band tentou transmitir o concurso de Miss Universo


Brigas internas impediram que emissora comprasse direitos

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Miss Universe Organization/Divulgação/09.05.1992


Animada com a exibição dos concursos Miss Mundo Brasil 1991 e Miss Mundo 1991, parte da diretoria da Rede Bandeirantes manifestou interesse em negociar os direitos de transmissão do concurso Miss Brasil 1992, que seria realizado pela Most of Brazilian Beauty, da ex-diretora do SBT, Marlene Brito, em março de 1992, numa importante casa de espetáculos de São Paulo. O acordo chegou a ter as primeiras trativas, mas foi frustrado por imposição dos diretores de jornalismo, Fernando Mitre, e de programação, Antônio Telles, os maiores opositores da exibição de concursos de beleza na Band, que não tinha direção artística à época.
Luciano do Valle (1947-2014) foi o maior defensor da transmissão do pacote completo de misses (Miss Brasil, Miss Universo, Miss Mundo Brasil e Miss Mundo) pela Band. Mas ele próprio sabia que encontraria forte oposição dentro da Band por estar apoiando concursos de beleza. A Band, a despeito de seu poder de penetração nacional já existente, foi contra qualquer investida em concursos de misses no ano de 1992. O Miss Brasil ocorreu no dia 25 de março, em São Paulo, sem o apoio prometido pela Band.
A eleição da paranaense Maria Carolina Portella Otto passou apagada pela mídia, que preferia dar mais atenção a Tereza Collor do que ao concurso nacional que credenciou a representante do país no Miss Universo 1992, realizado na manhã de 9 de maio, em Bangcoc. Carolina Otto não se classificou entre as 10 semifinalistas e seu reinado como Miss Brasil 1992 foi convenientemente esquecido em favor dos caras-pintadas da Rede Globo, que mais uma vez colaborou para a ocultação dos concursos de misses da mídia brasileira. Também foi ignorada a vitória da namíbia Michelle McLean em favor das denúncias de Pedro Collor (1942-1994) contra o irmão presidente, Fernando, nas páginas da revista Veja. Para a mídia da Globo, serviçal do do Departamento de Estado americano e prostituta dos índices Dow Jones e S&P 500, a Namíbia ainda era uma possessão sul-africana. E ainda encara como tal, passados 28 anos de sua independência.
A Globo, como se sabe, comprou em março de 1990 o silêncio da mídia brasileira para os concursos de Miss Universo e Miss Mundo, que estavam nas mãos do SBT. No Miss Universo, o concurso estava em seu terceiro ano de mordaça imposta pela famíglia Marinho, furada somente por órgãos de imprensa como a própria Veja. Os quais davam notinhas na seção Gente, para que nem a cabeleireira da esquina soubesse. Foi exatamente a mordaça da Globo que impediu os brasileiros de verem o Miss Universo 1992 pela televisão na noite de 8 de maio, no Centro de Convenções Rainha Sirkit, com a participação de 78 candidatas. O concurso que a Globo censurou está no vídeo abaixo

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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