Assunto da semana: Simone Biles é o c@#alho! Meu nome é…


A ressonância da alma de Paterno em um telefilme

HBO/Divulgação/07.04.2018


Os flashbacks da radioterapia de um Joe Paterno (1926-2012) vivido por Al Pacino no telefilme Paterno, que a HBO Signature estreou no dia 20 de abril, mostram muito de uma era sombria do futebol americano universitário. Sombria, e ao mesmo tempo, dourada. Os antecedentes do escândalo sexual da equipe do Penn State Nittany Lions soaram a cada escaneamento como se cinco ou seis filmes com o Al Pacino tivessem passado, todos de uma vez só. Diante do perfume de mulher, qualquer reportagem do Fantástico ou do Domingo Espetacular seria mera louça.
Das mãos do diretor Barry Levinson, 76, Paterno se sai para a corrida de submissões ao 70º Primetime Emmy como uma aula magna de produção de telefilmes. Deixa com as caras coradas de inveja os roteiristas e diretor de Spotlight, que se baseou em uma jornada investigativa de repórteres do The Boston Globe sobre abusos sexuais na Igreja Católica de Massachusetts. A ratoeira da jornalista Sara Ganim, 30, a serviço do The Patriot-News, jornal de pequeno alcance de Harrisburg, desnudou as safadezas de Jerry Sandusky, técnico do Penn State. Acendeu o isqueiro.
A dramatização de uma cronaca do esporte universitário americano nas mãos dos roteiristas Debora Cahn e David McKenna faz tremer no túmulo Hector Babenco e as laudas de Lúcio Flávio: O Passageiro da Agonia (1977). Trocou-se aí Reginaldo Faria, que ganharia credencial para as novelas da Globo, por um Al Pacino que facilmente seria trocado por um Francisco Cuoco fazendo comercial de cemitério na Paraíba. Artista em fim de carreira? Não. Paterno dá a Pacino a mais sonora atuação, cujas credenciais de Emmy já se fazem bastante visíveis, com chance de estatueta.
Na semana em que as cinco redes abertas tomaram decisões prévias a seus upfronts a começarem amanhã, Paterno soa como uma reflexão sobre como o ciclo de telefilmes foi bastante marginalizado na temporada 2017-2018. Entre mais de 60 produções do gênero, Paterno coroa de antemão uma história humana, repassada em um aparelho de ressonância magnética de hospital. Sei muito bem do que falo, pois já passei por isso. No caso do filme de Levinson para a HBO, se passa a limpo até cinebiografia de ginasta do Rio 2016, descontadas as roubalheiras de obra. Até sábado.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (12/5)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Coluna da Semana, Minisséries e telefilmes e marcado , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s