Assunto da semana: Entre sandubas de cachorro e atendentes


Duterte não tem nada a ver com o 9-1-1 do Ryan Murphy

FOX/Divulgação


Há muitas definições de 911 na Wikipedia. A primeira, de um número de emergência para ocorrências policiais e de bombeiros. A segunda, é de 9-1-1 (FOX Life, 5ª, 22h30, 14 anos). Sem sermos chatos, seu piloto coloca no foco uma atendente do serviço, Abby Clark (Connie Britton, Nashville, American Horror Story). É a partir dela que se conduz uma teia de histórias e dramas repassados no enredo a policiais, bombeiros, paramédicos e socorristas, conforme a necessidade do drama. Criada por Ryan Murphy, “9-1-1” não tem uma história específica central, A pulveriza.
Embora o 911 exista nas Filipinas, o da série não tem relação com o sistema de socorro lá existente. Feita em Los Angeles, sua trama em nada se parece com as retóricas do presidente Rodrigo Duterte. Elas acabam em quatro hambúrgueres do episódio seguinte ao de sua estreia. A despeito de a máquina de imprensa da FOX ter alardeado que Angela Bassett faria o papel principal de 9-1-1, o engano se percebe a cada chamado. Cai na cara de Abby, que aciona a agente Athena (papel de Bassett), os bombeiros, os loucos do hospício, o Mardi Gras, a macumbeira da Luisiana…
Sem essa de misturar alhos com bugalhos, 9-1-1 não entrou até agora em citação da SWAT do Departamento de Polícia de Los Angeles (a de outra série), nem nos mais doces delírios de Murphy. De dois episódios que assisti, foi essa a percepção que tirei. A de um drama de uma cadeia de atendentes que aciona uma teia de agentes policiais e de bombeiros para diferentes ocorrências de naturezas distintas. E a da humanização da pobre figura da atendente de ocorrências, que se vê compelida a tentar ouvir respostas de quem grita por desespero, para evitar coisa pior.
Somado à parceria de Murphy e Brad Falchuk da época de AHS, 9-1-1 recebeu reforço de roteiro de Tim Minear, para não ficar mais do mesmo na escrita de seu piloto. Em Let Go, a tônica do hambúrguer servido aos cachorros pela agente Athena Grant fez efeito: a FOX renovou 9-1-1 para sua segunda temporada. Embora os números iniciais de telespectadores tenham decepcionado, 9-1-1 saiu no benefício com a audiência de gravações, que chegou a 3,8 milhões de telespectadores nos Estados Unidos, só com o episódio piloto. Bom final de semana a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte que circula neste sábado (5/5)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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