Denúncias de abuso sexual atingem coordenações estaduais e municipais do Miss Brasil ligadas a Band e aliado de Hillary


645 candidatas da etapa brasileira do Miss Universo alegaram ter sofrido abusos nos ciclos de 2015 e 2016

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Flávio Florido/UOL/23.07.2011


O principal concurso de beleza do Brasil também está na mira dos grandes escândalos sexuais. Uma investigação jornalística realizada pelos blogs TV em Análise durante dois anos e meio descobriu uma grande cadeia de denúncias de abuso sexual e moral feito contra candidatas do Miss Brasil válido pelo Miss Universo, organizado pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação. Nas mãos da Polishop desde novembro de 2015, o Miss Brasil já acumula 645 denúncias desse tipo de prática, feitas na sua maioria por candidatas de concursos municipais. Por razões éticas, os nomes dos coordenadores e os Estados em que esses abusos teriam ocorrido não podem ser divulgados.
Nesse período, as denúncias foram encobertas pela área jurídica da Rede Bandeirantes de Televisão e não vieram à tona. Segundo uma das denunciantes, o escândalo não veio a público por pressões da Polishop e de seu dono, João Appolinário, que passou a ter livre trânsito no Poder Judiciário depois do golpe parlamentar que tirou do poder a presidenta Dilma Rousseff, pré-candidata do PT ao Senado por Minas Gerais. Com amigos no desgoverno ilegítimo de Michel Temer, Appolinário usa seu poder de influência para exercer uma verdadeira lavagem cerebral contra as candidatas e suas famílias. Muitas já gastaram milhares de reais com advogados para processar a Band e a Polishop por danos morais, mas tem esbarrado em advogados amigos das empresas que detém a concessão do concurso de Miss Universo para o Brasil, contratada junto à IMG Worldwide, dona do concurso desde 14 de setembro de 2015. A IMG pertence a um aliado da senadora democrata Hillary Clinton, 70, Ari Emanuel, 57, que tem servido de coletor de doações de artistas para as campanhas do Partido Democrata como Katy Perry, Leonardo DiCaprio e Beyoncé.
Uma das candidatas disse ter sido procurada por um coordenador municipal da região sul para “um encontro” antes da final de um importante concurso, realizada no início de 2016. A cidade não pode ser revelada, para não atrapalhar o trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público, que também investigam as mais de duas mil queixas contra a Polishop nos Procons estaduais por prática de propaganda enganosa. A candidata disse que o coordenador teria tocado em suas partes íntimas sem seu consentimento e teria engravidado dele. A coordenação estadual nega tal encontro e informou que o coordenador denunciado por assédio sexual já foi descredenciado. O encontro amoroso de coordenador com qualquer candidata é proibido pelo regulamento da Organização Miss Brasil Universo, referente ao ciclo de 2017. Para o Miss Brasil 2018, esse item foi suprimido.
A prática de assédio sexual nos intramuros dos bastidores do concurso de Miss Brasil não é nova. De acotrdo com o pesquisador baiano Roberto Macedo, há casos registrados desde 1981, quando o Grupo Sílvio Santos assumiu a franquia do Miss Universo no país. Desde que o SBT saiu do segmento, em 1989, as denúncias de abusos contra candidatas só aumentaram. De acordo com um grupo de ex-candidatas do Miss Brasil entre 1991 e 2001, foram registrados 2.795 casos de assédio moral contra coordenadores nacionais, estaduais e municipais da etapa brasileira do Miss Universo, todos encobertos e abafados pela mídia corporativa, formada por grupos como Globo, Bandeirantes, Abril, Folha, Três e Estado. A Bloch, que faliu em 2000, retirou seu apoio aos concursos de beleza.
A reportagem do TV em Análise Críticas entrou em contato com as assessorias da Bane e da Polishop, mas não obteve retorno destas em relação às denúncias dos concursos estaduais do Miss Brasil 2015 e 2016. Os advogados da ex-coordenadora do Miss Brasil no SBT, Marlene Brito, também não foram encontrados. A assessoria do SBT, através de nota, informou que “repudia toda e qualquer forma de abuso” contra candidatas do concurso de Miss Brasil e de seus concursos estaduais. Também através de nota, a Miss Universe Organization “repudia qualquer forma de abuso e importunação sexual ou moral e desaprova qualquer conduta nesse sentido de seus coordenadores nacionais e regionais, em mais de 100 países, inclusive no Brasil”. Eleita Miss Universo 2017 em novembro último, a sul-africana Demi-Leigh Nel-Peters, 22, recém-contratada da IMG Models, foca seu reinado justamente nessa causa.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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