Em 1986, Globo usou Love Story contra o Miss Brasil do SBT


Filme deu a Ali McGraw indicação ao Oscar

Da redação TV em Análise

20th Century Fox/Divulgação


Na tentativa de forçar uma maior queda de audiência no concurso de Miss Brasil, que o SBT transmitia havia quatro anos, a Rede Globo lançou mão de uma arma preciosa na noite de 17 de maio de 1986. Na mesma noite que a rede de Sílvio Santos exibia pela primeira vez via satélite para todo o país a 33ª edição da etapa brasileira do Miss Universo, a Globo lançava mão de um filme velho. Love Story – Uma História de Amor levou 16 anos para entrar na televisão brasileira. O filme de Arthur Hiller(1923-2016). Lindo na essência, o romance que tinha Ali McGraw e Ryan O’Neal nos papéis principais era a arma da Globo para conter o avanço da audiência do Miss Brasil 1986 em outras regiões que não fossem as metropolitanas do Rio de Janeiro e São Paulo. O tiro saiu pela culatra. Love Story não conseguiu deter mercados novatos no concurso.
Embora o SBT tenha tido melhor vantagem de audiência do Miss Brasil na reprise do que na primeira exibição, o concurso de beleza fez sim estragos no filme da Globo. Fez o filme que deu indicação ao Oscar para McGraw perder público também para a novela Dona Beija, da Manchete, e para o Perdidos na Noite, que Fausto Silva comandava na Bandeirantes, futura casa do Miss Brasil e do Miss Universo. O SBT teve 25 pontos com o Miss Brasil na noite que Love Story tentava lhe impor uma derrota. A Globo e seu Supercine saíram derrotados.
Numa época sem Internet e mídias sociais, Love Story não foi o assunto mais comentado daquele 17 de maio. Os dias que se sucederam serviram para falar da vitória de uma negra gaúcha, Deise Nunes de Sousa, de 18 anos. Quem era Ali McGraw no país das mulatas do Sargentelli? E do Plano Cruzado? E dos Fiscais do Sarney? E dos donos de supermercados colocados na cadeia por remarcação de preços?
Ali caiu no esquecimento da indústria cinematográfica. Já Deise, mesmo nas trevas do Miss Brasil da década de 1990, continuou fortemente lembrada. Semifinalista do Miss Universo 1986, na Cidade do Panamá, Deise, ao lado se sua antecessora, a carioca Márcia Canavezes, marcou uma geração. Até hoje, o impacto cultural de ambas se faz sentir. A ponto de criar uma história de amor com a opinião pública. E com os cônjuges que tiveram depois.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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