Assunto da semana: Final dos tempos e miserê a la Beija-Flor


O apocalipse de Here and Now remete a dilúvio de Crivella

HBO/Divulgação


A erupção do Monte Hood ao fim do décimo episódio de Here and Now (HBO Signature, 23h, 16 anos) pode até parecer coisa pinçada do ebalaô-ôôô dessa novela viajada na maionese de apocalipse da Rede Record. Mas se levando em conta o samba do crioulo doido que Alan Ball fez para “It’s Here”, deu-se a Holly Hunter (Saving Grace) e Tim Robbins um bilhete premiado para que todos, inclusive o roteirista do episódio, recebam indicações ao 70º Primetime Emmy. Mata qualquer comissão de Carnaval de escola de samba carioca de inveja. Inclusive a Paraíso Do Tuiuti.
Na terapia de Audrey Bayer, que nada tem a ver com o laboratório farmacêutico, tem-se um divã de enredos melhor costurados que os do Sistema Globo de Séries. Freud talvez explique alguma coisa que acontece no meu coração quando cruzo a Ipiranga com a São João. Inclusive para desnudar os livros do Caetano Veloso e outras palavras ditas pela S&P 500, Nasdaq, Ibope, Dow Jones, Rede Globo e outras pocilgas afins. Inclusive os Fortes de certa novela das 10. Onze só se for a música dos Demônios da Garoa, até há pouco proibidos de tocar na Record. Sei.
Em meio a tantos personagens complexos, a terapeuta de Holly Hunter pontua a competência do conjunto de elenco (ver SAG Awards) a partir de sua coordenação. Na filosofia de Greg Boatwright, há um naco de novela das seis de 1986 reprisada no canal pago Viva, da Globo. Sem os escravos (ver Reforma Trabalhista do Temer e asseclas), tampouco suas Casas Grandes e Senzalas. Estas foram substituídas por uma casa na árvore, que expõe a vulnerabilidade do ser humano. Não na visão da miséria humana da Patrulha do Consumidor do Celso Russomanno.
90% da premissa de Here and Now remete diretamente ao Dilúvio do bispo licenciado Marcello Crivella, prefeito do Rio de Janeiro que fugiu do Carnaval da cidade para visitar a Agência Espacial Europeia, em Estocolmo (Suécia). Entre enchente de Carnaval e erupção de vulcão, o enredo de Here and Now se pauta pela semântica da era Trump fora dos intramuros da Casa Branca, sem tocar em muro de metal na fronteira com o México. Ay ay ay, Estácio Holly Hunter Estácio, na paráfrase do saudoso Luíz Melodia. É a psicologia da série dramática. Até sábado.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (28/4)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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