Assunto da semana: A repetição contínua de filme já acabado


De volta, humor de Will & Grace é mais do mesmo

Chris Haston/NBC/Divulgação


Não espere coisa nova da temporada de retorno de Will & Grace (FOX, 4ª, 21h45, livre). Eric McCormack e Debra Messing rezam a mesma missa de quando saíram do ar, em maio de 2007. A mesma regra vale para Roseanne, que a ABC desenterrou do fundo do Mar Vermelho, sem as tropas de Ramsés da novela/filme Os Dez Mandamentos. Os Dez Mandamentos da Rede Record. Nada de novo no enredo que, quando deu uma pausa, já tinha angariado 83 indicações ao Primetime Emmy. Carrada essa que poderá aumentar na 70ª edição, entre 9 e 17 de setembro.
É muito melhor comparar Will & Grace àqueles especiais chatos do Roberto Carlos na Globo, nos quais ele canta a mesma música desde 1974. Menos se é de cunho religioso tipo Nossa Senhora, Jesus Cristo e por aí vai. Nem em episódio de Ação de Graças, a coisa se resolve. Constroem-se piadas prontas, semi industrializadas como massa de fazer pastel ou pizza. É aí que reside o erro básico da volta de Will & Grace. Repete as mesmas premissas, mas com adequações aos tempos sombrios de Trump na Casa Branca e no Twitter, jogando bomba na Síria.
Sem nada de novo, a nona temporada de Will & Grace parece continuação de novela das nove encerrada com os dizeres “Esta história não acaba aqui”. A paciência da gente já acabou. De elenco, é tudo a mesma leva. Não há nome novo a acrescentar. Roteiro episódico, direção de arte, edição de imagem, direção de fotografia, salvo alguma mudança, tudo repete os clichês das oito temporadas anteriores. É como se Moisés na Record levasse nove anos para atravessar a terra prometida. Mesmo que o ator principal pedisse desligamento ou morresse de alguma coisa.
Na pantomima de Will & Grace, tudo é detestável, a começar do irritante “gravado com platéia ao vivo” no off de abertura de cada episódio. No retorno, Will & Grace justificaram a obviedade de escolha de público insatisfeito com as atuações de Messing e McCormack em séries policiais – The Mysteries of Laura e Perception – que pouco lembraram a capacidade desses atores fazerem as pessoas rirem na televisão. Se explorou um naco desconhecido, cuja resposta de público não foi bem percebida. Agora, a ordem é tocar o barco. Bom final de semana a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (21/4)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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