A 51 dias do Miss Brasil 2018, Band demite repórter que iria denunciar mazelas do Rio antes da chegada das candidatas


Mônica Puga teve passagens por Globo, Manchete e SBT e cobria caso Marielle

Da redação TV em Análise

Voz das Comunidades/Reprodução/12.02.2015


A Rede Bandeirantes demitiu a repórter investigativa Mônica Puga, que vinha produzindo matérias de denúncia dos problemas sociais da cidade do Rio de Janeiro, principalmente as relacionadas à criminalidade. Natural de São Paulo, a jornalista teve antes da Band passagens pela Rede Globo, pela antiga Rede Manchete e pelo SBT. Puga era peça chave de eventuais matérias de alerta às candidatas do Miss Brasil 2018 na área de segurança pública.
Na Band, Mônica Puga vinha tendo um papel chave na cobertura do assassinato da veradeora do PSOL, Martielle Franco, desde o dia 15 de março, um dia após o crime, que também vitimou um assessor da parlamentar, a quinta mais votada na cidade no pleito de 2016. Fez matérias críticas à preparação da cidade para as Olimpíadas de Verão de 2016 e já se preparava para fazer o mesmo em relação ao concurso Miss Brasil 2018. Acredita-se que a demissão de Puga tenha sido motivada por interesses do empresário João Appolinário, dono da empresa de varejo Polishop, que organiza o Miss Brasil desde 2016, sob concessão da americana Endeavor (ex-WME/IMG).
Puga que tem 33 anos de carreira, já preparava uma série de reportagens especiais sobre o caso Riocentro para ser veiculada na semana do Miss Brasil 2018, marcado para o dia 26 de maio. Em 30 de abril de 1981, o local da etapa brasileira do Miss Universo 2018 esteve a um passo de se tornar palco do Grande Holocausto da Música Popular Brasileira, com o assassinato de nomes como Beth Carvalho, Cauby Peixoto, Clara Nunes, Gonzaguinha, Luiz Gonzaga, Raimundo Fagner, Simone Bittencourt de Oliveira e outros. Faria suas primeiras apurações e iria fazer suas primeiras entrevistas quando foi informada da demissão.
O plano dos militares para ceifar grande parcela dos nomes da MPB no Riocentro falhou e acabou se voltando contra eles próprios, que estavam no poder havia 17 anos, através do Golpe que derrubou o então presidente João Goulart (1918-1976). Resultou na explosão de uma bomba num carro Puma que matou um militar e deixou outro (ambos da Aeronáutica) com a mão amputada. Menos de dois meses após o massacre fracassado do Riocentro, o Rio vencia seu último título de Miss Brasil com Adriana Alves de Oliveira, mais tarde quinta colocada no Miss Universo realizado em Nova York. 37 anos depois, o relatório oficial do caso Riocentro ainda soa inconclusivo e incoerente com a realidade dos fatos, que a mídia hegemônica da ex-Deusa Minerva Gisele Bündchen insiste em ocultar.
Além do caso Riocentro, Mônica Puga preparava matérias denunciando outras mazelas do Rio que desagradariam os diretores da Polishop, que já anunciaram a realização de sua convenção anual de vendas no palco do massacre frustrado da MPB de 1981. Mostraria um Rio favelizado que esperava pelas 27 candidatas e um Estado que ainda agoniza em função da crise causada pela organização criminosa do ex-governador Sérgio Cabral Filho, 55, em vias de voltar para o presídio VIP de Benfica, com colchões do “legado olímpico”, nos quais deitaram na Vila Olímpica nomes como Simone Biles, Neymar, Usain Bolt, Michael Phelps, dentre outros. E que também acolheram já na cadeia Carlos Arthur Nuzman e Leonardo Gryner, executivos do comitê Rio 2016, presos na Operação Unfair Play, e o deputado estadual afastado Jorge Picciani (MDB), na Operação Cadeia Velha.
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) não se manifestaram sobre a demissão de Mônica Puga da Band Rio, ocorrida na quinta-feira (4), até o fechamento desta reportagem. Puga deixou a Band faltando 51 dias para o Miss Brasil 2018. Na Band Rio, a cobertura do concurso será feita por outro repórter, ainda a ser designado.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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