Criminalidade será problema para o Miss Brasil ocorrer no Rio


Percurso de misses do Galeão a hotel incluirá comunidades dominadas por tráfico e milĩ́cias

Da redação TV em Análise

Wilton Junior/Estadão Conteúdo/18.03.2018


Preocupada com possíveis danos à integridade física das 27 candidatas estaduais, a Organização Miss Brasil Universo deverá conversar nos próximos dias com a Interventoria Federal da Segurança Pública do Rio de Janeiro para tratar de esquema adicional de segurança para o concurso, que deverá ter programação na capital fluminense entre os dias 12 e 26 de maio. Como os desembarques das candidatas deverão acontecer no Aeroporto Internacional do Galeão, na zona norte, a preocupação da Rede Bandeirantes e da Polishop é com o percurso que o ônibus que levará as misses deverá fazer até chegar ao hotel ainda a ser definido.
Se o hotel das candidatas ficar na região da Barra da Tijuca, fatalmente passará pela Avenida Brasil, onde ficam comunidades dominadas por traficantes de drogas e milicianos, como as da Vila do Cruzeiro e do Complexo da Maré. A mesma preocupação valerá se o hotel escolhido ficar em Copacabana, ma zona sul, cujo percurso incluirá as proximidades do Morro do São João e comunidades da zona portuária do Caju. Nesse caso, a Organização Miss Brasil Universo já estuda o desembarque das 27 misses no Aeroporto Santos Dumont, no centro, para evitar maiores constrangimentos.
Durante os governos de Rosinha Garotinho e Sérgio Cabral Filho, que receberam o Miss Brasil de 2005 a 2007, a criminalidade nunca foi um problema para a Band e para a Gaeta, sua parceira de então, realizarem o Miss Brasil na capital fluminense. O programa das Unidades de Polícia Pacificadora, criado por Cabral, fracassou e as taxas de homicídios que beiravam a índices próximos aos da Suíça voltaram aos patamares das décadas de 1980 e 1990, afugentando turistas e obrigando o Exército a patrulhar os morros para eventos como a Eco 92, realizada no Riocentro, sede do Miss Rio de Janeiro 2017.
Rosinha e Cabral, que já chegaram a receber misses Universo como Natalie Glebova e Zuleyka Rivera, foram parar na cadeia por denúncias de corrupção em diferentes níveis. O Rio que vai receber o Miss Brasil 2018 é o mesmo que botou abaixo e Elevado da Perimetral para embelezar a zona portuária para as Olimpíadas de 2016. Alguns dos prédios para lá prometidos, incluindo um hotel, estão entregues às moscas. É esse Rio abandonado pela omissão de governantes corruptos e irresponsáveis que o Miss Brasil vai mostrar ao mundo?

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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