Assunto da semana: Os hábitos e o furacão Stormy Daniels


A semana nada santa de The Handmaid’s Tale

MGM Television/Hulu/Divulgação


No início da tarde de terça-feira (27), recebi um recado do editor para adiantar este texto dado o feriado santificado. Mas e o que a estrela de filmes eróticos Stormy Daniels, o plot de The Handmaid’s Tale (Paramount, 2ª, 23h30, 16 anos) e o desgoverno Trump tem a ver? Tudo. Das oferendas da estreia ao terceiro episódio, intitulado Late, se passou um nascimento. De ópera, Handmaid’s Tale, vencedora de oito Primetime Emmys em setembro último, tem de tudo um pouco, até parar nos takes quotidianos de Elisabeth Moss sem os hábitos clerigais.
Da clausura, a freira Julie Offred, personagem de Moss, também produtora executiva da trama, guarda segredos incapazes de pautar a mídia blindadora de Trump e de seus asseclas. Transforma as negativas da porta-voz rabo de arraia da Casa Branca em enredo capaz de prender a atenção do telespectador assinante, mesmo aquele mais cansado e exaurido. Isso, apesar de ter ainda o final do filme Rocky (1976) para aturar. O Stallone não tem nada a ver com isso. E o que os segredos da freira Offred tem a ver com a entrevista da Stormy Daniels ao 60 Minutes? Tudo.
Alhos com bugalhos postos, a única pornografia de The Handmaid’s Tale é na linguagem da freira Offred, em cafeteria de esquina, longe dos hábitos de monja. De santas, a freira de Handmaid’s Tale e Daniels não tem nada, exceto seus “dirty little secrets” da corrupção estatal para cooptar atrizes e produtoras como Moss a ficarem em silêncio. E não o quebrá-lo em premiações, lendo trechos do livro proibidão Fire and Fury (Fogo e Fúria, em português), do jornalista Michael Wolff. Muito de Fire and Fury está em The Handmaid’s Tale.
Do veneno das massas que vai às ruas pedir mudanças na lei de armas e mandar Trump ir para aquele lugar, a premissa de The Handmaid’s Tale não pode ser dissociada dos contextos de eventos. Não adianta escrever uma crítica falando que The Handmaid’s Tale é uma obra de ficção. Fazê-lo é remetê-lo ao jornalismo mais raso e escroto, como o preconizado pelos idiotas que vestiram camisa da Seleção para atirar ovos em ônibus da caravana do ex-presidente Lula na região sul. E serem retribuídos com a reprimenda das bombas da Polícia Militar do Paraná. Até sábado.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (31/3)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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