Cultura dos concursos municipais é dificílima no Miss Brasil


Carência desse tipo de evento e práticas oligárquicas de indicações prejudicam desempenho do país no Miss Universo

Da redação TV em Análise

Rafael Galvão/GP1/16.07.2017


Sem eleger uma Miss Universo há cinco décadas, o Brasil está atrasado em termos de promoção de seus concursos regionais, principalmente os municipais, que credenciam aos 27 concursos estaduais. Velhos costumes oligárquicos usuais nas regiões Norte e Nordeste e o abandono de algumas franquias na região sudeste tem emperrado o desenvolvimento dos concursos de misses no país, principalmente os válidos pela família da Miss Universe Organization. Uma ampla investigação realizada pelo TV em Análise Críticas mostrou que, das 27 coordenações estaduais, cinco não realizam concursos municipais – Acre, Alagoas, Amapá, Espírito Santo e Roraima.
De acordo com o levantamento, dos quatro Estados com maior número de participações brasileiras no Miss Unbiverso, três usam os concursos municipais com maior frequência para definir seus quadros de candidatas – Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Embora tenha oito títulos conquistados, o Rio de Janeiro abandonou a realização de concursos municipais a partir da troca de comando da franquia estadual, em 2016.
Desde o retorno das transmissões televisivas do Miss Brasil, em 2002, a quase totalidade das coordenações estaduais tem usado dos concursos municipais para embasar os quadros de competidoras das etapas dos Estados para o Miss Universo. O Espírito Santo abandonou essa prátrica em 2012, quando houve troca de coordenador. Em Minas Gerais, mais de 70 cidades pararam de realizar os concursos para a eleição de suas candidatas. Os coordenadores alegavam que era custoso manter um evento que não lhes trazia retorno e sequer tinbha visibilidade na grande imprensa. O grande êxodo de coordenações municipais em Minas começou a se verificar a partir de 1992, quando a TV Alterosa (afiliada do SBT) suspendeu a transmissão do concurso Miss Minas Gerais. A atual coordenação do concurso mineiro não foi localizada para tratar dessa crise, que afastou candidatas desde que a Enter assumiu o Miss Minas Gerais em 2012 e passou sua gestão para a Polishop em maio de 2016.
Na contramão dessa desgraça, Estados como o Rio Grande do Norte, que até 2008 só indicavam candidatas, passaram a investir fortemente na realização dos concursos estaduais do Miss Brasil/Miss Universo. Piauí e Sergipe se recuperaram dos escândalos de corrupção denunciados pelo SBT em 2015 e 2016. A eleição de Monalysa Alcântara como Miss Brasil 2017 e sua classificação entre as 10 semifinalistas do Miss Universo 2017, em Las Vegas, foram exemplos claros de como reconstruir uma franquia estadual combalida por anos de práticas de discriminação, racismo, corrupção e cooptação de jurados e manipulação de resultados. Depois de Mona, oito concursos municipais foram incluídos no programa do Miss Piauí 2018. O próximo concurso acontecerá em Floriano, na quinta-feira (22).
De acordo com o diretor regional do Grupo Bandeirantes de Comunicação no Piauí, Diego Trajano, a expectativa é de que o Miss Piauí 2018, marcado inicialmente para o dia 28 de abril, chegue a 50 candidatas em sua seletiva. É nas candidatas individuais inscritas pela Internet, como Mona, que Trajano e a Band Piauí querem jogar todas as suas apostas. Apesar do modo canadense proposto ao Miss Piauí, os concursos municipais do Estado sobrevivem, apesar das dificuldades com que são realizados, geralmente no boca a boca e sem nenhuma cobertura de mídia, exceto a feita através das mídias sociais.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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