Se estivesse viva, Mariza Fully Coelho, candidata brasileira ao título de Miss Universo 1983 faria 56 anos no dia 12 de abril


Sua morte vai completar 20 anos a menos de um mês do Miss Universo 2018

Da redação TV em Análise

Reprodução/TV Catuaí/J.R. Produções/YouTube


Além de marcar o cinquentenário da última vitória brasileira no concurso de Miss Universo, 2018 também será marcado por uma triste efeméride, oculta dos órgãos da imprensa tradicional e monopolista. No dia 23 de novembro de 1998, acabava de forma trágica a trajetória discreta de Mariza Fully Coelho, aos 36 anos de idade. Quarta mineira a vencer o título de Miss Brasil, no dia 11 de junho de 1983, Mariza representou o país na 32ª edição do concurso de Miss Universo, realizada no dia 11 de julho de 1983, no antigo Kiel Auditorium, em Saint Louis (Missouri). Entre 80 candidatas, Mariza não se classificou entre as 12 semifinalistas. O certame acabou vencido pela neo-zelandesa Lorraine Downes. Esse foi o único título de Miss Universo que a Nova Zelândia conquistou até agora. Nos anos 2010, o país da Oceania vem acumulando desclassificações sucessivas no concurso. Tanto a vitória de Mariza quanto a de Lorraine completam 35 anos em 2018.
Nascida no dia 12 de abril de 1962, em Manhumirim (328 km a leste de Belo Horizonte), Mariza Fully começou a participar de concursos de beleza em 1977. Depois de seis anos, conseguiu o direito de representar sua cidade no Miss Minas Gerais 1983, realizado em, Belo Horizonte pela TV Alterosa (afiliada do SBT), no dia 21 de maio. Foi para o Miss Brasil 1983 sem ser favorita, mas acabou eleita através do sistema de pontuação que variava de 1 a 10. Na contagem final, derrotou a sul-mato-grossense Ana Cristina Cestari. Assinou contrato de um ano com o SBT não apenas em função de sua eleição como Miss Brasil, mas para ser aproveitada em programas da casa caso não vencesse o Miss Universo. Naquele ano, o Brasil amargava 15 anos sem vencer o concurso.
Em 9 de junho de 1984, Mariza (assim mesmo) entregou a faixa e a coroa para a paulista Ana Elisa Flores da Cruz. Ambas fazem parte de um ciclo maldito do Miss Brasil do qual até o próprio Sílvio Santos já esqueceu. Foram dois anos seguidos sem classificações no Miss Universo. Esses ares de mau agouro só mudariam no dia 15 de julho de 1985, quando a carioca Márcia Giagio Canavezes de Oliveira, a Márcia Gabrielle, ficou entre as 10 semifinalistas. Após seu reinado, Mariza voltou para Minas Gerais e conheceu um sobrinho do escritor Fernando Sabino (1923-2004), com quem casou e teve sua primeira filha. Mais tarde, teve outra de um relacionamento com o compositor Carlos Colla.
Dois anos antes de sua morte, num engavetamento na BR-262, Mariza concedeu uma longa entrevista ao jornalista João Rosendo, na qual se queixava da ausência dos concursos de misses da mídia na segunda metade da década de 1990. Mostrou um retrato com o então governador Tancredo Neves (1910-1985) após voltar do Miss Brasil e o painel das 27 candidatas estaduais da etapa brasileira do Miss Universo 1983. Todo o material, assim como as roupas que usou no concurso internacional, foi doado em abril de 2017 pela família de Mariza à Casa de Cultura de Manhumirim.
A morte de Mariza na estrada vai fazer 20 anos a menos de um mês da sucessora da piauiense Monalysa Alcântara participar da 67ª edição do concurso de Miss Universo, a ser realizada no dia 16 de dezembro. Depois dela, outras cinco ex-ḿisses Brasil morreram ao longo dos anos – Adalgisa Colombo (17 de janeiro de 2013), Kátia Moretto (29 de abril de 2013), Rejane Vieira da Costa (26 de dezembro de 2013), Ana Cristina Ridzi (16 de janeiro de 2015) e Fabiane Niclotti (28 de junho de 2016). Se estivesse viva, Mariza iria completar 56 anos daqui a 42 dias e faltando 37 dias para o Miss Brasil 2018.
Em 30 de setembro de 2017, Mariza foi declarada patrona de uma das cadeira da Academia Manhumirimense de Letras, fundada no início do mês. Desde 2016, a família de Mariza processa a seguradora Indiana Seguros e quer indenização pelo acidente com o carro da ex-miss, uma picape Chevrolet S10, que colidiu com um Kadett na BR-262, no trevo de Reduto, nas proximidades de Manhuaçu. O processo já tramita em primeira instância, no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG).

Grande imprensa deu às costas para o caso

Um levantamento feito pelo TV em Análise Críticas com jornais de época do eixo Rio-São Paulo, demonstrou que a morte de Mariza Fully passou em branco nas páginas da Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil. Os acervos de O Globo e Extra, jornais do Grupo Globo, não foram pesquisados até o fechamento desta matéria.

 

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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