Assunto da semana: Uma bronca para Winfrey resolver no TRE


O ‘crime eleitoral’ de Oprah no 75º Golden Globe

Paul Drinkwater/NBCUniversal via Getty Images/07.01.2018


Ainda estamos a dois anos de saber se “Donaldo” Trump vai ou não disputar a reeleição, mas um anticlímax da campanha presidencial americana de 2020 já pôde ser sentido na aceitação do Prêmio Cecil B. DeMille pela apresentadora e atriz Oprah Winfrey, 63. Em meio ao linchamento que se tenta fazer de pessoas como o produtor e ex-membro da Academia do Oscar Harvey Weinstein, o discurso de Oprah foi a antítese das que vergavam a hashtag “Time’s Up”. Foi uma propaganda eleitoral antecipada e descarada.
Infelizmente nos Estados Unidos não existe Tribunal Superior Eleitoral, tampouco Tribunal Regional Eleitoral no Estado da Califórnia para punir propaganda eleitoral fora do período permitido de campanha. Há, isso sim, a Comissão Federal Eleitoral (FEC) e as Comissões Eleitorais dos Estados, encarregadas de fiscalizar, se é que isso aconteça, abusos na prática da propaganda eleitoral antecipada. Lamentavelmente, madame Oprah Winfrey, a despeito dos serviços prestados, escorregou feio no quesito ética política e partidária.
Se existisse TRE na Califórnia, sairiam perdendo a produtora Dick Clark e a rede de televisão NBC, que seriam obrigadas a pagar multas astronômicas. Mas como a tal “Primeira Emenda” não permite arcabouços, Oprah saiu do Golden Globe aclamada como pré-candidata à sucessão de Trump. Mas, para tanto, teria de ter um partido e um programa de governo. Foi assim que Trump tentou se candidatar à Casa Branca, em 2000, antes de abandonar o barco por falta de respaldo no Partido Republicano. Tal regra vale também para Kanye West.
Do escopo do discurso de Oprah não posso depreender outra coisa que não seja crime eleitoral. Não nos Estados Unidos da América do Norte. Lá, Oprah pode fazer o discurso que bem entender diante de 18,7 milhões de telespectadores – essa foi a audiência consolidada do 75º Golden Globe Awards, marcado por ataques ao desgoverno Trump, feitos em menor escala em relação ao ano passado. Nada, no entanto, que arrefeça as tensões políticas fora da premiação. É melhor passar estas para a seção mais apropriada. Bom sábado a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (13/1)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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