Presença de candidatas de bantustões ‘independentes’ rachou a África do Sul no concurso de Miss Universo 1979, em Perth


Bophuthatswana e Transkei entraram para cumprir tabela e saíram sem classificação

Da redação TV em Análise

Miss Universe Organization/Divulgação


Um ano após a eleição de Margaret Gardiner como Miss Universo 1978, dois dos nove bantustões da África do Sul, autodeclarados “independentes” em relação ao governo de Pretória, decidiram mandar candidatas para a 28ª edição do concurso de Miss Universo, realizada na manhã de 20 de julho de 1979, no extinto Perth Entertainment Centre, em Perth, capital do Estado australiano da Austrália Ocidental. A presença das candidatas de Bophuthatswana, Alina Moeketse, e Transkei, Lindiwe Bam, causou mal-estar entre os coordenadores do concurso Miss África do Sul, que viam naquela hora um país dividido após sua primeira vitória no Miss Universo. Ainda mais em pleno regime segregacionista do apartheid.
Do lado sul-africano propriamente doto estava Veronica Wilson, que obteve classificação entre as 12 semifinalistas, coisa que as misses dos bantustões não conseguiram. Bophuthatswana concorreu ao Miss Universo pela primeira e última vez. Já Traskei mandaria candidatas para o Miss Universo em 1981 (Nova York, Kedibone Tembisa Letlaka) e 1983 (Saint Louis, Nomxousi Xokelelo). A entrada desses bantustões no Miss Universo era uma forma de chamar a atenção para a discriminação racial que as mulheres negras sofriam na África do Sul em plena época de Gardiner como Miss Universo.
Em 27 de abril de 1994, Bophuthatswana e Transkei deixaram de existir e foram reincorporados ao território sul-africano. Os bantustões eram regiões da África do Sul e da Namíbia para onde eram deslocadas populações negras das grandes cidades a eles próximas. Após a dissolução dos bantustões, a Miss Universe Organization revogou a suspensão imposta à África do Sul que vigorava desde o Miss Universo 1985, realizado em Miami. o país voltou a concorrer no Miss Universo, em 13 de maio de 1995, em Windhoek.
Há um mês, Demi-Leigh Nel-Peters encerrou um jejum de títulos de Miss Universo para a África do Sul, que se arrastava há 39 anos. Entre parte da comunidade negra sul-africana, no entanto, a vitória de Demi no Miss Universo 2017, em Las Vegas, não foi bem vista. Resquícios do apartheid dão a Demi-Leigh uma imagem não 100% positiva da nova Miss Universo junto à comunidade negra da África do Sul. Imagem essa que Demi tentará mudar antes do Miss África do Sul 2018, marcado para 27 de maio.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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