Assunto da semana: Blake to the future, de volta ao passado


Final do The Voice americano foi festival de esquetes

NBC/Divulgação/19.12.2017


Não estamos falando ainda do grande ciclo de premiações de mid-season, mas já se pôde constatar uma montanha de material especial escrito para a final do reality musical The Voice, que exigiu pouco roteiro. Da prosódia de Blake Shelton com o nome original do filme De Volta para o Futuro (1985) ao “escritório” da “produtora” de Jennifer Hudson, o 27º episódio da 13ª temporada de Voice, mostrado ao vivo pelo canal Sony entre a noite da terça-feira (19) e a madrugada da quarta-feira (20), teve de tudo em termo de piada pronta.
Metendo o pai da Miley Cyrus no meio, a primeira esquete da final do The Voice remetia a 1992, quando Blake ainda era adolescente e Billy Ray Cyrus carregava Miley em um carrinho de bebê. Começava aí a sina de idiotices que viria somada a um momento Geraldo Luís de Carson Daly presenteando os quatro finalistas – Chloe Kohanski, Addison Agen, Brooke Simpson e Red Marlow – com carros do ano, zero quilômetro, saídos de fábrica. Chegou-se a um ponto de colocarem Adam Levine no divã do doutor Drew Pinsky de realities rehab.
Na hora da noite 1 da Família Record, a final do The Voice soou como contraponto ao amigo secreto de determinada emissora aberta brasileira. Trocou o Fábio Porchat e a Sabrina Sato por Daly em uma questão de duas horas. Antes da final, já vinha a primeira piada pronta: Kohanski cantou a música da Kim Carnes jocosamente chamada de “melo do Chico Anysio”. Isso, num país em que o analfabetismo funcional atinge 27% da população, de acordo com dados do Ministério da Educação, já tomado por um porta-voz de Alexandre Frota.
Sem estar em sua melhor forma em termos de audiência – teve nos Estados Unidos 10,84 milhões de telespectadores e média domiciliar de 6,7 pontos, de acordo com a Nielsen Media Research, a temporada 13 do The Voice chegou ao fim dando uma certa sensação de cansaço para quem a acompanhou. Mas sua reinvenção constante proposta pelo corpo de produtores composto por Mark Burnett (The Apprentice) e pelo holandês John De Mol (Big Brother), dá a entender que o Voice americano ainda tem gás de sobra. Até sábado.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (23/12)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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