Assunto da semana: As formas, os continentes e os conteúdos


Ainda precisaremos falar muito sobre o Miss Universo 2017

Frazer Harrison/Getty Images/26.11.2017


O que se produziu e o que se veiculou até agora na mídia nativa não será suficiente para encerramos essa conversa sobre a 66ª edição do Miss Universo, que ocorreu no domingo (26), no Planet Hollywood Resort and Casino de Las Vegas. Não dá para apenas aceitar o resultado da vitória da sul-africana e pronto – não pensem os barões da mídia velhaca que colocar essa coisa para baixo do tapete depois que a Monalysa Alcântara parou entre as 10 semifinalistas de traje de gala vai salvar a lavoura desses senhores. Muito pelo contrário.
O chorume midiático que acoberta roubalheiras como as do consórcio Globo-PSDB-PMDB-CBF-Comitê Olímpico e tal jamais aceitou que Monalysa fosse eleita Miss Brasil 2017. Os cadáveres apodrecidos dos patos amarelos da Fiesp passaram os últimos três meses numa campanha diabólica para impedir que Mona chegasse ao menos a trocar uma piada com Steve Harvey, 60, aquele mesmo da cena de crime de 2015. De nada adiantou essa corja ir às ruas vestir camisa da Seleção para gritar “Fora Dilma” e “Fora PT” para depois cair na real.
Nas três horas de evento cá retransmitidas por uma rede aberta – a Band – e dois canais pagos – TNT e TBS, muita coisa poderia ter anotado além do óbvio uluante desse ou daquele ponto. Fosse do top 16, 10, 5 ou 3. De uma sinfonia de desinformações e ocultações que se desenhou nos telejornais antes e após o concurso, pude depreender que a cidade de Las Vegas pôde ser maior que a tragédia que enfrentou. Reforçou segurança por temores do terrorismo islâmico. Da parte de Donald Trump, na Casa Branca, mudaram-se regras de visto.
É latente que para a mídia brasileira a indústria de concursos de misses não tenha tanta importância quanto tem as lutas de MMA e o futebol de contratos suspeitos com a Rede Globo de Televisão, Ano Um da Criança Brasileira, Cunha na Cadeia. Para um país que pensa que é potência em concursos de beleza, precisa-se mudar muita coisa. Nas coordenações do Miss Universo nos Estados, Piauí incluso, a faxina começou. O Miss Brasil de Mona respira graças a uma ajuda financeira à emissora que o transmite. Bom final de semana a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (2/12)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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