Assunto da semana: Profissão perigo é ver programa de índio


Samba de crioulo doido de MacGyver faz referências a Maduro

Guy D’Alema/CBS/Divulgação/23.09.2016


Se na versão original, MacGyver só falava de Irã, Nicarágua, Contras, essas coisas, sua refilmagem (Universal Channel, 5ª, 21h, 12 anos) se mostra mais pueril em termos de contexto ideológico. Passa longe do papel carbono de Richard Dean Anderson, ator que deu vida ao MacGyver da versão original. A atuação de Lucas Till é sofrível. Chega a coisa de Teen Choice Awards, mas não paga nem o recibo de seus dois primeiros episódios, The Rising e Metal Saw. Ficou mais medíocre do que se esperava da forma e do conteúdo.
E foi em Metal Saw (serra de metal, na tradução) que apareceu uma citação a uma ditadura sul-americana, a da Venezuela de Nicolas Maduro. Sem tocar no nome de Maduro, a trama trata de refém americana nas mãos de uma organização criminosa de uma comunidade que cheira mais na cenografia a Bogotá do que a Caracas. É aí que reside o segundo erro básico deste novo MacGyver. Sai pior que a paródia do MacGruber dos humoristas do Saturday Night Live. Fica mais para rir do que para chorar de rir dado o seu mau gosto.
Forte na coordenação de dublês que deu sua única indicação ao 69º Primetime Emmy técnico, MacGyver versão 2016 não chega nem à ponta do sapato da Carrie Mathison de Homeland. A menos que, na outra série, Claire Danes use tênis ao invés dos mocassins para pegar terroristas. É fraca na assepsia e no fator de retenção do telespectador/assinante. Se no Brasil MacGyver passa em dias de jogos da NFL, melhor deixar a temporada do futebol americano passar para se traçar uma observação mais apropriada. Não dá para atravessar.
Com sua segunda temporada já rolando na grade da CBS americana, MacGyver 2016 acaba apresentada ao público brasileiro de TV paga como bife de papelão da JBS/Friboi. Seria o caso de MacGyver fazer uma Operação Carne Fraca dentro de seu núcleo de roteiristas. O que se assiste é um pastiche mal feito, enredo pobre e palhaçada caricata regada a doses cavalares de alguma ação. Se é que exista ação capaz de intrigar o telespectador. Nem recebendo verba pública da Ancine do Temer e da Spcine do Doria. Bom sábado a todos.


Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (11/11)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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