EXCLUSIVO: Os vídeos inéditos da eleição da paulista Valéria Peris para representar o Brasil no concurso Miss Universo 1994


O Críticas teve acesso ao material

Da redação TV em Análise

Paulo Max Produções/Divulgação/11.04.1994


Depois de 23 anos, um veículo de comunicação teve acesso aos vídeos do concurso Miss Brasil 1994. Publicado no YouTube, o material mostra uma produção pobre e precária no primeiro ano em que Paulo Max exerceu de forma direta a coordenação da etapa brasileira do Miss Universo. Vencedora da 40ª edição do Miss Brasil, a paulista Valéria Melo Peris sequer se classificou entre as 10 semifinalistas do Miss Universo 1994, realizado na manhã de 20 de maio, no Centro Internacional de Convenções das Filipinas, em Pasay (região metropolitana de Manila).
Realizado na noite da segunda-feira, 11 de abril, na casa de espetáculos Ribalta, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio de Janeiro), o Miss Brasil 1994 foi gravado em vídeo com o nome de Mulher Brasil 94, para ser compactado como um especial de televisão de meia hora. Nenhuma emissora se interessou pelo material, nem mesmo a Rede Globo, que tinha os direitos do Miss Universo no país desde 1990 e os tomara do SBT para pagar para não exibí-lo. Cópias VHS do concurso foram enviadas às coordenações estaduais para fazerem o uso que quisessem, inclusive passar o Miss Brasil 1994 nos mercados que lhes interessassem. Nem isso foi feito.
O Miss Brasil 1994 foi o segundo registro audiovisual de uma etapa brasileira do Miss Universo feito na década de 1990. Em 1993, uma equipe da Rede Bandeirantes gravou a aclamação de Leila Schuster como representante do país no Miss Universo realizado na Cidade do México, onde se classificou entre as 10 semifinalistas. Não há gravações do Miss Brasil 1991 e do Miss Brasil 1992 devido aos conflitos de sua ex-coordenadora, Marçene Brito, com o SBT, contra o qual moveu processo trabalhista por ter sido demitida em função do Plano Collor I, engendrado pela Globo para inviabilizar a participação brasileira no Miss Universo 1990, realizado em Los Angeles.

Por pressões da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), Associação Brasileira das Agências de Propaganda (ABAP) e da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), capitaneadas pelo Grupo Globo, empresas como o Banco Itaú, Petrobras, Unilever, Banco do Brasil e Colgate-Palmolive foram instruídas pela Globo a não emprestarem patrocínio ao Miss Brasil 1994. A Federação Brasileira de Colunistas Sociais (Febracos) coletou fundos para que Max, morto dois anos mais tarde em um acidente de carro, pagasse as despesas de envio da vencedora do Miss Brasil para o Miss Universo 1994. Parte deles veio de jornais filiados à Associação Nacional de Jornais (ANJ), da qual fazem parte jornalões como O Globo, O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e Folha de S. Paulo. Todos boicotaram o concurso, atendendo instrução da Rede Globo.

Miss Universe Organization/Divulgação

Na mídia, a despeito de ser realizado no Rio de Janeiro, sede da Globo e de sua antiga rival, a Manchete, o Mulher Brasil 94 foi fracasso de repercussão. Nenhum dos grandes jornais deu nota sobre o concurso nos dias que se seguiram. Mesmo em ano de Copa, a participação de Valéria Peris no Miss Universo 1994 acabou boicotada pelo consórcio da mídia que manipulava as cabeças dos brasileiros na primeira metade da década de 1990.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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