Assunto da semana: Miséria intelectual e o melhor do Carnaval


Indicações brasileiras ao Emmy Internacional são sofríveis

Gullane Entretenimento/Studio+ Brasil/Divulgação


Me desculpem, Jennifer Hudson, Blake Shelton e cia. do The Voice americano, mas preciso falar de uma coisa horrível que a Academia Internacional de Televisão proporcionou ao anunciar as oito indicações brasileiras ao Emmy Internacional de 2017. Nem irei perder meu tempo tratando dos eles e elas da Rede Globo de Televisão, Ano 1 da Criança Brasileira, Fora Temer. Mas de um submundo apresentado pela produtora francesa Studio+, que emplacou uma tal de Crime Time que nunca ouvi falar. Já foram três temporadas do troço.
Vi o trailer da bendita série mais francesa como a Miss Universo Tris Mittenaere do que brasileira graças às bênçãos da Lei do Audiovisual que Temer e o Quadrilhão do PMDB querem matar por asfixia, invocando a tal de “Lei da Responsabilidade Fiscal”. Lei da Responsabilidade Fiscal? Mas esse troço não é só para pegar maus gestores públicos? O que esse argumento fantasmagórico de um governo que agoniza com 3% de aprovação tem a ver com as indicações brasileiras ao 45º Emmy Internacional de 20 de novembro? Tudo.
Lamentável que o Emmy internacional tenha se tornado propriedade da Globo tal qual o Parque Olímpico do Rio de Janeiro depois dos Jogos do ano passado. Triste também é vermos a que nível desceu a excelência artística dos programas, quase todos reduzidos a uma única emissora. Fora Crime Time, a única exceção é Portátil, que os humoristas do grupo Porta dos Fundos produziram para o Comedy Central Brasil. Comedy Central Brasil e não do Tartaristão. Fábio Porchat e Gregório Duvivier deram o oxigênio que faltava a esse quadro.
Mais uma vez, peço perdão aos leitores por ter atropelado a pauta do Voice em favor de em desserviço cultural que se faz notório desde o golpe militar de 1964, robustecido pelo apoio logístico da CIA, a Central de Inteligência do governo norte-americano na época de Lyndon Johnson, Castello Branco, Golbery, Geisel, Frota e tantos outros de tristíssima memória. O país que tem a segunda melhor indústria de televisão do mundo (e não falo da Globo) não pode se rebaixar no Emmy a essa coisa rastaquera. Bom final de semana a todos.

Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (30/9)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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