Collor e a Globo tinham na manga um plano urdido no ‘Bolo de Noiva’ para tirar o Brasil do concurso de Miss Universo 1990


Durante a transição, aventou-se dentro do SBT o nome de Adriana Colin para nos representar em Los Angeles

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Fotos Manchete, Agência Brasil, Istoé, e Panoramio


Pouco depois de consumada a eleição de Fernando Collor como presidente da República, no dia 19 de dezembro de 1989, as atenções no núcleo de misses do SBT coordenado por Marlene Brito se voltariam para a produção dos concursos estaduais do Miss Brasil 1990. Diretores de afiliadas tinham sido avisados de que o concurso ocorreria, mas o SBT não contava com dois detalhes. No primeiro deles, o comando da Miss Universe Inc. tinha saído da Paramount para a MSG. No segundo deles, o concurso de Miss USA 1990 tinha sido antecipado para o dia 2 de março, 13 dias antes da posse de Collor como presidente do Brasil. No terceiro, mais grave, a antecipação do Miss Universo 1990 de maio para o dia 15 de abril. Palco: o hoje extinto Shubert Theatre de Los Angeles.
Durante a transição de governo, no prédio conhecido como “Bolo de Noiva”, diretores do SBT tentaram convencer Sílvio Santos, 86, a voltar atrás na decisão de não mais apresentar o Miss Brasil. Queriam que ele cedesse o posto de apresentador para seu discípulo, Augusto Liberato, o Gugu. Marlene Brito permaneceria como coordenadora geral do projeto de misses do SBT. Mas uma barreira armada por petistas infiltrados da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), Associação Brasileira de Agências de Propaganda (ABAP) e Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) impediu que o SBT fosse atrás de anunciantes para o projeto comercial Miss Brasil/Miss Universo 1990. Essa turma, aliada a colunistas ligados à Rede Globo, travou todo o plano do SBT para o Miss Brasil 1990. Agências e anunciantes eram instruídos pela equipe de transição de Collor, com muitas almas penadas da direita conservadora, a não aceitarem qualquer visita de representantes da área comercial do SBT para tratar do concursos de misses. Tratar de Jô Soares, infantis, et caterva, sim. Negociar Miss Brasil, não.
Na medida em que os ministros de Collor eram anunciados pela Globo, a Globo ganhava corpo em seu intento de asfixiar o Miss Brasil/Miss Universo do SBT. Inventavam a conversa de “coisa ultrapassada” apenas para satisfazer suas diatribes eleitorais já consumidas contra o petista Luiz Inácio Lula da Silva. Passado o Carnaval, com direito a misses na capa da Manchete, a equipe de transição de Collor ensaiava gestos para o SBT não tocar concurso algum de miss. Quebrou a cara: o concurso de Miss Bahia já tinha sido realizado no início de março e outros 26 concursos estaduais estavam na dependência de uma palavra oficial do SBT que não vinha. Nesse meio tempo, se aventou na emissora a possibilidade de se mandar para Los Angeles a segunda colocada do Miss Brasil 1989, a paulista Adriana Colin. A quadrilha midiática da Globo e de Collor, hoje senador da República pelo minúsculo PTC por Alagoas, já tinha fetto seus estragos antes mesmo da edição do Plano Collor I, em 16 de março.
Após a edição do “pacote de maldades” da então ministra da Fazenda Zélia Cardoso de Mello, do então presidente do Banco Central, Ibrahim Eris, e do economista Antonio Kandir, o sonho de Sílvio mandar Colin para a 39ª edição do Miss Universo já tinha ido para o moedor da Globo. Com o confisco das cadernetas de poupança, o SBT não teve como honrar suas obrigações junto à Miss Universe Inc. e o país acabou fora do Miss Universo pela primeira e única vez até agora. O sonho de Adriana Colin ser indicada como Miss Brasil 1990 tinha virado farelo. Como consolação, Gugu contratou Colin para integrar um grupo de lambada feminino, o Banana Split. Os estrategistas do SBT erraram ao escantear uma de suas mais belas misses do principal concurso de beleza do mundo. Privaram Adriana Colin de ser Miss Brasil indicada e provaram de seu próprio veneno: no final de março, demitiram 324 funcionários, inclusive Marlene Brito, como parte das medidas adotadas em função do Plano Collor, que tirou o país do Miss Universo 1990.

Textos associados:
*Candidatura de Sílvio Santos ao Planalto, venda da Record para líder da Igreja Universal e coronéis nordestinos fizeram o Brasil ficar fora do Miss Universo 1990 (19 de novembro de 2016)
*Candidatura de SS tirou Brasil do concurso Miss Universo 1990 (24 de fevereiro de 2017)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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