Operação Unfair Play abre precedente para que Polícia Federal brasileira e FBI americano investiguem compra de diretores da MUO para São Paulo sediar o concurso Miss Universo 2011


Esquema de compra de votos para o Rio sediar Olimpíada de 2016 se repetiu para capital paulista receber misses

Da redação TV em Análise

Yasuyoshi Chiba/AFP/Getty Images/12.09.2011


A deflagração da Operação Unfair Play, pela Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, por ordem do juiz federal Marcelo Bretas, na manhã desta terça-feira (5), para investigar um esquema criminoso de compra de votos para o Rio de Janeiro sediar a Olimpíada de Verão de 2016, abriu as portas para uma eventual investigação ampla, geral e irrestrita de esquema semelhante que teria atuado para que a cidade de São Paulo sediasse a 60ª edição do concurso de Miss Universo, na noite de 12 de setembro de 2011. Há indícios de que diretores da Miss Universe Organization teriam sido comprados pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação para favorecer a capital paulista na rodada de definição da sede do Miss Universo 2011, que teve início em novembro de 2009.
Diretores da MUO visitaram as cidades de Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), Mar del Plata (Argentina), Santo Domingo (República Dominicana), Nha Trang (Vietnã), Manila (Filipinas), Cidade do México (México), Moscou (Rússia), Atenas (Grécia), Las Vegas (Estados Unidos), Cidade do Panamá (Panamá), Lima (Peru), Perth (Austrália), Cidade do Panamá (Panamá), Nassau (Bahamas), Nicósia (Chipre), Windhoek (Namíbia), Quiro (Equador) e Cidade da Guatemala (Guatemala), até se chegar ao nome de São Paulo, escolhido no dia 13 de dezembro de 2010. A decisão de realizar o Miss Universo 2011 na cidade brasileira partiu do então co proprietário da Miss Universe Organization, o atual presidente americano Donald Trump, 70, e foi aprovada por sua então parceira de mídia, a NBCUniversal. É cedo para se afirmar que houve de fato compra de dirigentes da MUO por parte da Band, mas os eventos da Operação Lava Jato, que acaba de montar núcleo em São Paulo, podem desembocar na principal fonte de receitas da emissora desde que parou de transmitir o Brasileirão no ano passado.
A investigação da Polícia Federal brasileira e dos Ministérios Públicos brasileiro e francês que caíram nas teias do presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Carlos Arthur Nuzman, 75, com o passaporte confiscado, pode estimular o núcleo paulista da PF e o Federal Bureau of Investigation (FBI) dos Estados Unidos a investigar se há algum tipo de evidência na compra de diretores da MUO através de subornos e propinas para que São Paulo tivesse vantagem para receber o Miss Universo 2011. Na primeira delas, está o fato de São Paulo ser governada à ocasião por políticos de direita, tanto no plano municipal – Gilberto Kassab (ex-DEM, hoje no PSD), quanto no estadual – Geraldo Alckmin (PSDB). Recursos da Sabesp, a empresa estadual de águas e esgotos, foram usados para pagar uma das cotas de transmissão da NBC para o concurso. Ela assegurou exposição internacional da marca da estatal paulista, paga com o dinheiro do contribuinte.
Kassab e Alckmin se aproveitaram de um vacilo do grupo político do presidente boliviano Evo Morales, oponente às ideologias de Trump e do “capitalismo selvagem americano”, na definição da sede do Miss Universo 2010 e foram à sede da Band tratar da intenção de São Paulo receber o Miss Universo 2011 com o presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação, João Carlos Saad, o Johnny. Contrários ao bolivarianismo de Morales e de outros presidentes sul-americanos de então como o falecido Hugo Chávez (Venezuela), Cristina Kirchner (Argentina) e Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Kassab, Alckmin e Saad plantaram notícias contrárias ao Partido dos Trabalhadores na campanha presidencial de 2010, na medida que avançavam nas negociações para que o Miss Universo 2011 ocorresse apenas no Estado de São Paulo, para desagrado de outros governadores estaduais eleitos em 2010, entre eles o presidiário Sérgio Cabral Filho (PMDB-RJ).

Band/Divulgação/13.12.2010

Estimado em R$ 34 milhões, o contrato de organização do Miss Universo 2011 foi assinado pela extinta empresa Enter-Entertainment Experience, constituída pela Band apenas para esse fim. Teve como avalistas a Unilever, o Governo do Estado de São Paulo, a Prefeitura da Cidade de São Paulo, a SPTuris (Empresa de Turismo do Estado de São Paulo), a Gaeta Promoções e Eventos, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. São Paulo já vicia um ritmo intenso de obras com vistas à Copa do Mundo FIFA de 2014 e às Olimpíadas de 2016, onde recebeu jogos do torneio de futebol. A intenção de Trump era lucrar com o bom momento econômico que o país atravessava pré-Copa e pré-Olimpíada. E o Miss Universo era um momentum adequado. Alegando compromissos profissionais na Escócia, Trump faltou ao Miss Universo 2011 cujo contrato ele mesmo assinou com Saad, diante da Miss Universo de então, a mexicana Ximena Navarrete.
Procurada pela reportagem do TV em Análise Críticas, a direção do Grupo Bandeirantes de Comunicação desconhece qualquer irregularidade na escolha da sede do Miss Universo 2011 e informou ter entregue um Caderno de Encargos à MUO detalhando todas as obrigações e diz ter cumprido todas elas. A atual direção da Miss Universe Organization disse que não irá comentar sobre atos da gestão anterior. Por sua vez, a presidenta da MUO, Paula Shugart, confirma os encontros de Trump com Saad e de Saad com Kassab e Alckmin para tratar da realização do Miss Universo 2011 na capital paulista e não viu nada de anormal na escolha da cidade brasileira para receber o certrame. A redação do Críticas não conseguiu localizar os demais citados nesta reportagem.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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