Assunto da semana: Essas mulheres maravilhosas e geniais


O peso das atrizes do Emmy de drama como produtoras

Fotos Netflix e Hulu/Divulgação


Vocês falam tanto nessa conversa de empoderamento e chega dos dados de indicadas ao 69º Primetime Emmy na categoria de melhor atriz em série dramática uma constatação: duas delas – Robin Wright e Elisabeth Moss – aparecem também como produtoras das séries que concorrem, House of Cards e Handmaid’s Tale, esta inédita no Brasil. É um naco desconhecido para uma categoria cuja conversa em anos anteriores versava sobre as atuações das artistas. Em se tratando de atuação, é melhor separar Igreja de Estado e joio de trigo.
Wright e Moss, a despeito de terem a carga de tocarem o barco de suas séries, não são lá essas coisas de favoritismo para levar a estatueta no dia 17. Das três últimas vencedoras do Emmy nessa categoria, só Viola Davis (How to Get Away with Murder) tem as credenciais de disputa. Não por ter vencido o Oscar em fevereiro por Fences, que a Paramount mandou mudar para algo que não lembrasse a psicose do Donald Trump com os imigrantes ilegais mexicanos. Mas por ser a única atriz a ter credencial de chances. Até certo ponto.
Caso os jurados da Academia Nacional de Televisão tenham levado em conta a experiência de Wright, será um duro golpe para a televisão tradicional a vitória de uma atriz de série dramática de streaming. É a mesma satanização que as redes abertas tentaram fazer quando a HBO de Westworld e Evan Rachel Wood angariou suas primeiras indicações na década de 1990. Não acho justo que tal satanização se repita agora: três das seis indicadas saíram de séries do Netflix (duas indicações) e Hulu (uma). É um patrulhamento injusto.
Da turma do streaming, Moss, Wright e a novata Claire Foy (The Crown) compõem o “fator X” de definição de quem deve ficar com a estatueta. A vitória da inglesa Foy no SAG Awards de janeiro foi uma boa sinalização do que está por ocorrer. Não adianta dizer que o Emmy é imprevisível. Na maioria das vezes, em categorias de atuação, serve como caixa de ressonância dos sindicatos e associações de correspondentes, as quais parecem ter nas mãos o filé de merluza de uma atuação que correspondeu às expectativas posteriores. Até sábado.

Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (2/9)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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