Assunto da semana: O Padrão Globo das Heranças Malditas


O curral midiático do esporte um ano após o Rio 2016

David Ramos/Getty Images/21.08.2016


Há exatamente um ano atrás, neste espaço, escrevia um balanço do circo da cobertura da Olimpíada do Rio de Janeiro. Um ano se passou da cerimônia de encerramento e para a televisão brasileira pouca coisa ficou de legado dos jogos, sem contar os elefantes brancos que se ergueram para o evento. Das grandes redes abertas, só a Globo tem um plano traçado para os próximos jogos, em Tóquio, porém mais modesto. Nada que lembre a obrigação de ser emissora anfitriã junto com a Band e a Record e mobilizar uma verdadeira tropa.
Certa vez, a Record disse em editorial que “o monopólio da informação é um câncer para o Brasil”. Pois a mesma coisa se verifica agora nas transmissões das modalidades olímpicas, rateadas entre a Rede Globo e seu canal pago de esportes, o Sportv, que se assenhoraram do rebanho de eventos do ciclo olímpico. Deram a suas concorrentes uma inanição que lembra à da África subsaariana, debaixo das mais torpes ditaduras, que castram a liberdade de escolha do telespectador. Isso se chama herança olímpica, Mr. Phelps?
Estou horrorizado com a nulidade de espaços dados ao esporte olímpico na Rede Bandeirantes e em seu canal de esportes, o Bandsports. O leitor, alguma vez, ouviu essas emissoras falarem em “novo ciclo olímpico”? Até onde eu sei nada saiu nessas empresas. Na Record TV, impera o silêncio até mesmo para seu canal de notícias. Não há nada que lembre a agitação de um ano atrás. Na ESPN, já se jogou a toalha para mostrar a Copa da Rússia. Farão o mesmo com os Jogos de Inverno de Pyeongchang, daqui a seis meses? Que país é esse?
Com o curral exercido pela Globo, fica cada vez mais difícil assimilar até mesmo da boca do Carlos Arthur Nuzman do Comitê Olímpico do Brasil qualquer ensinamento de “legado olímpico” para nossos veículos de televisão na área esportiva, sobretudo canais especializados que obtiveram o sub licenciamento da Globosat Programadora. A navalha, além de ESPN e Band, pega na jugular também o FOX Sports, que mostrou o Rio 2016 com hombridade e emoção da Adriane Galisteu, ora colocada na dança de famosos do Faustão. Até sábado.

Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (19/8)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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