De 1998 a 2016, seis vencedoras do Miss Brasil já morreram e a mídia hegemônica do ‘Deus Mercado’ jamais se deu conta


A primeira baixa ocorreu em 1998, no leste mineiro, quando um acidente encerrou a trajetória de Marisa Coelho

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Fotos Manchete, O Cruzeiro, O Globo, Getty Images e Miss Universe Organization


Era 23 de novembro de 1998 e o concurso de Miss Brasil estava no silêncio imposto pela Rede Globo e pelas petralhas da bancada feminina, na “Sibéria do esquecimento“, como diria Leonel Brizola. Nessa data, em Manhuaçu, na estrada federal BR-262, acabava a trajetória de Marisa Fully Coelho, aos 36 anos de idade, em um acidente cujas circunstâncias a grande mídia jamais investigou. Por quê? Qual foi o motivo dessa omissão proposital, quase 20 anos depois? A despeito de sua trajetória ter começado com o título nacional de 1983, conquistado em um concurso transmitido pelo SBT, a emissora deu ao fato uma nota coberta. O resto da grande mídia, orientada pela Globo e sua “sociedade privada” com o grupo Odebrecht para privatizar até o ar que respiro, escondeu o assunto.
A morte de Marisa Coelho, nossa representante no Miss Universo 1983, realizado em Saint Louis (Missouri), no dia 11 de julho, é dessas hidden figures da forma como foram tratadas em Estrelas Além do Tempo, filme que rendeu indicações recentes ao Oscar. A volta do Miss Brasil à grande mídia, em 2002, ajudou a abrir a figura até então escondida de Marisa, uma mulher simples e solteira, vivendo em sua cidade natal, Manhumirim, situada a 304 km a leste da capital mineira, Belo Horizonte. A eleição de Marisa como Miss Brasil 1983 inseriu a cidadela no mapa do Miss Universo e a expôs para o mundo. Em um concurso preparatório para o Miss Universo 1983, Marisa ficou em segundo lugar. No Miss Universo, Marisa não se classificou. Mesmo assim, permaneceu à disposição de novelas e programas do SBT. Fez apenas uma novela, Vida Roubada, reprisada entre setembro de 1986 e janeiro de 1987.
Em 8 de junho de 2007, uma praça situada ao lado da rodoviária da cidade foi inaugurada em homenagem à Marisa, cuja família doou em março de 2017 o acervo da quarta mineira a vencer o Miss Brasil à Casa de Cultura de Manhumirim.
Depois de Marisa, a segunda Miss Brasil a morrer foi Adalgisa Colombo, em 17 de janeiro de 2013. A carioca foi segunda colocada no Miss Universo 1958, em Long Beach. Em 28 de abril do mesmo ano, um câncer matou em Sorocaba a paulista Kátia Moretto, representante do país no Miss Universo 1976, em Hobg Kong. No dia seguinte ao Natal de 2013, um derrame tirou de cena Rejane Vieira da Costa, segunda colocada no Miss Universo 1972. Em 10 de janeiro de 2015, morria em Petrópolis Ana Cristina Ridzi, representante do país no Miss Universo 1966.
O suicídio de Fabiane Niclotti, em 28 de julho de 2016, em Gramado (região serrana gaúcha) engrossou ainda mais uma conta de mortes que só atingia misses da velha guarda. E desembocou no período mais recente, sob a tutela do braço midiático desarmado da União Democrática Ruralista (UDR) e os jagunços do Grupo Bandeirantes de Comunicação, associados com o presidente ilegítimo Michel Temer e o PMDB dos presidiários Eduardo Cunha e Sérgio Cabral, que enterrou no quintal da casa da família, em Gramado, seus sonhos políticos. Na mão oposta de Fabi, o cadáver de Marisa foi tratado pelo SBT como indigente em meio à “produção cultural” da era FHC que a própria elencou ao repórter João Rosendo – É O Tchan, Xuxa, Faustão (adendo meu), Marcia Goldscnidt (outro adendo meu), Ratinho (idem), Luciano Huck (ibidem), banheira (egípcia) do Gugu…

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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3 respostas para De 1998 a 2016, seis vencedoras do Miss Brasil já morreram e a mídia hegemônica do ‘Deus Mercado’ jamais se deu conta

  1. Elas deram o melhor de si, e hoje para nossa sociedade feminina elas representam muito a crescermos e não desistir dos sonhos, foi por elas que hoje já estamos no Miss Universo 2018, que elas estejam em um bom lugar, apesar de todas lindas fizeram com que os concursos crescem mais, meus parabéns a todas elas, fizeram um ótimo papel enquanto presente, e agora deixa as lembranças e orgulho pro nosso País.

  2. Pedro Araújo disse:

    A Miss Brasil 1961, Vera Brauner do RS tb faleceu de câncer em 2013 , ela substituiu Stael Abelha de MG que renunciou ao título

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