Franquia brasileira do Miss Universo é uma das mais caras segundo estudo, mas resultados não compensam os custos


Estima-se que a Band pague US$ 150 mil para manter o concurso sob seu domínio

Da redação TV em Análise

Ted Alibe/AFP/Getty Images/29.01.2017


Um estudo divulgado pelo blog especializado The Pageantpedia mostra que o Brasil tem a mais cara franquia do Miss Universo entre as 105 coordenações nacionais ativas. De acordo com informações obtidas com exclusividade pelo TV em Análise Críticas, o Grupo Bandeirantes de Comunicação paga US$ 150 mil anuais à Miss Universe Organization para assegurar o envio das candidatas brasileiras ao concurso desde 2012.
De acordo com a publicação, a média de pagamento da taxa de franquia das coordenações nacionais varia de US$ 10 mil a US$ 150 mil, valor pago pela Band através de patrocínios vendidos para a transmissão do Miss Brasil e de seus 27 concursos estaduais. A Band não confirma o pagamento desse valor, mas fontes da Organização Miss Brasil Universo, joint vrnture da emissora com a empresa de televendas Polishop e a IMG Universe confirmam essa informação.
Outras coordenações nacionais de maior peso, como Filipinas (US$ 60 mil) e Venezuela (US$ 100 mil) pagam valores menores que o praticado pela Organização Miss Brasil Universo. Estima-se que as 51 coordenações estaduais do Miss USA paguem entre US$ 100 e US$ 120 mil para enviarem suas candidatas à etapa americana do Miss Universo. Da parte do Miss USA, é paga uma taxa simbólica de US$ 5 mil para incluir a representante americana no Miss Universo. Metade do que é praticado pelas outras coordenações nacionais.
Apesar do alto preço pago pela franquia, os resultados do Brasil no Miss Universo desde que a Band assumiu a gestão, em setembro de 2011, tem se mostrado decepcionante. Involuiu-se de dois quintos lugares em 2012 e 2013 para três classificações entre as semifinalistas entre 2014 e 2016. Antes da Band assumir de forma direta, a Gaeta deu resultados ainda mais desastrosos para o Brasil no Miss Universo: entre 2003 e 2011, foram apenas quatro classificações, o que equivale a um aproveitamento de 44,44%. Menos que os 100% verificados nos períodos da Enter e da Polishop.
A taxa de franquia é uma das maneiras que a Band tem encontrado para dificultar a saída do Miss Universo de sua grade de programação, a despeito de reclamações de missólogos sobre a parca exposição do concurso na mídia. Paga-se para que os concursos de misses fiquem na Band, mas não se retribui ao telespectador um resultado decente às nossas candidatas. De Gabriela Markus a Raíssa Santana, a cobertura missológica da Band só regrediu. Cortaram-se os envios de repórteres às cidades-sedes e o telespectador acabou privado da informação que era necessária sobre o concurso mais importante do mundo.
Fora a taxa de franquia, a Band paga anualmente à Miss Universe Organization e à sua controladora, a WME/IMG, cerca de US$ 22 milhões para manter o Miss Universo, o Miss Brasil e os concursos estaduais na grade. Em termos de patrocínios, na era pré-Polishop, a Band arrecadava cerca de R$ 40 milhões com as vendas de cotas. Com a chegada da Polishop na organização do concurso, a Band recebe um desembolso de R$ 50 milhões da empresa de televendas, em um acordo válido até 2020, que cobre também as transmissões do Miss Universo em TV aberta. Procuradas pela reportagem do Críticas, as duas empresas não quiseram se manifestar sobre os números, alegando sigilo contratual.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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