Em 1996, Record mostrou Miss Brasil com 11 dias de atraso


Concurso concorreu com telejornais de Globo e Manchete e novela do SBT

Da redação TV em Análise

Fotomontagem Vera Lúcia Trindade


Após amargar duas trocas de comando entre 1991 e 1994, o concurso de Miss Brasil penou para ocupar espaço em uma rede nacional de televisão na década de 1990. Cancelado em 1990 pelo SBT em função de demissões feitas pelo Plano Collor, o Miss Brasil voltou a ser promovido em 1991. Mas foi a gestão de Paulo Max que brigou para que o concurso reocupasse o lugar que lhe foi tirado na mídia. Na terça-feira, 23 de abril de 1996, Max realizou no Rio de Janeiro a 42ª edição do concurso, que credenciava àquela altura, além da representante do país no Miss Universo, a representante no Miss Beleza Internacional.
Prejudicado pelo boicote midiático engendrado pela Rede Globo e políticos do PT presos pela Operação Lava Jato, o concurso de Miss Brasil que credencia a representante brasileira no Miss Universo sumiu dos noticiários e das pautas entre 1991 e 1995. Em raras exceções, a revista Veja furava o bloqueio da Globo, amparado pelas Associações Brasileiras de Anunciantes (ABA) e de Agências de Propaganda (ABAP) colocando notas informando quem tinha vencido a disputa internacional na seção Gente. Nem mesmo a Manchete, a mais tradicional entusiasta dos concursos de beleza, estava interessada em colocar o Miss Brasil na pauta. Levado ao ar às 20h do sábado, 4 de maio, o VT do Miss Brasil 1996 passou despercebido em meio a uma concorrência que incluía novelas na Globo e no SBT, o Jornal Nacional, o Jornal da Manchete e uma série importada na Band.
Àquela altura, a vitória da paranaense Maria Joana Parizotto já tinha caído na boca do povo depois que a IstoÉ tinha publicado uma matéria antipática ao concurso, cheia de críticas e sem nenhuma foto. A exposição de Parizotto na mídia pouco ajudou a sua participação no Miss Universo 1996, que seria realizado dali a 13 dias, no The AXIS do Planet Hollywood Resort and Casino, em Las Vegas, à época ocupado por outro cassino, hoje demolido.
Não era a primeira vez da Record numa edição de Miss Brasil: em 27 de julho de 1981, a emissora chegou a registrar 40 pontos na Grande São Paulo com a eleição da carioca Adriana Alves de Oliveira. Com Parizotto já eleita e já sob o controle do bispo Edir Macedo, a Record se afastou da revitalização do Miss Brasil. Com a chegada dos filhos de Paulo Max ao comando do Miss Brasil, em 1997, a situação piorou. Em 1998, a Record pouco destaque deu ao Miss Brasil realizado em São Paulo, restringindo-o a uma coisa solta na grade local. Da primeira vez de Sílvio Santos no comando do concurso a seu ocaso, o Miss Brasil da Record perdeu muito de sua audiência entre 1981 e 1996. Não há registros de audiência do apagadíssimo Miss Brasil 1996 que a Record mostrou naquela noite de sábado. As transmissões do Miss Universo sequer entraram na pauta da Record, nem em 1996, tampouco em 1998. Nesse último ano, os direitos foram do SBT.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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