A direita já tem discurso para defender Temer: manter o corrupto lá para enfrentar a crise


A foto dos meninos do MBL com Gilmar Mendes é a imagem da contradição

Joaquim de Carvalho
Do Diário do Centro do Mundo

Reprodução/Facebook
Joice Hesselmann: não deixa o povo votar porque, se votar, ele volta


Seria cômico não fosse trágico ver os porta-vozes da direita brasileira num malabarismo verbal tentar explicar a crise política e, de alguma forma, justificar a permanência de Michel Temer e seus homens no comando do País.
A foto dos meninos do MBL com Gilmar Mendes é a imagem da contradição.
Mas seu significado não é diferente das palavras que Joice Hasselmann diz num vídeo postado depois do resultado do julgamento do TSE.
Ele diz coisas como: “enfim, temos presidente” e tenta explicar que o resultado do TSE impede o golpe da volta do “Lulaladrão” – um golpe estranho, já que só haveria um jeito do ex-presidente voltar ao poder: pelas urnas.
Seria o primeiro golpe da história urdido e executado pela maioria do povo.
No fundo, o que Joice pensa, mas ainda não fala, é: não deixa o povo votar porque, se votar, ele volta.
Este é o ponto.
Joice não tem a experiência de Augusto Nunes, mas o que este diz em sua coluna na revista Veja é também confuso: ele critica Gilmar Mendes e defende o povo na rua, mas é um povo diferente. Transcrevo um trecho:

O que falta é mais gente decidida a avisar nas ruas, aos berros, que o Brasil decente não se deixará intimidar pelos poderosos patifes que teimam em obstruir os caminhos da Lava Jato. Refiro-me à verdadeira Lava Jato, representada por Sérgio Moro, não à caricatura parida em Brasília por Rodrigo Janot.

No fundo, Joice e Augusto defendem Sérgio Moro porque Sérgio Moro persegue Lula e o PT, e poupou tanto Michel Temer quanto Aécio Neves, cujas verdadeiras faces foram reveladas nas investigações em Brasília.
Aécio, que três anos atrás era apresentado por porta-vozes como Joice e Augusto como político quase perfeito.
Sobre Michel Temer, apontavam só virtudes, o político que restabeleceu os princípios da república no Palácio do Planalto.
Cômico, não fosse trágico.
Há cinco meses, Augusto Nunes chegou a escrever um artigo para elogiar o general Sérgio Etchegoyen, que havia dado entrevista a Eliane Cantanhede, em que denunciou um suposto desligamento de câmaras do Palácio do Planalto, durante o governo da presidente Dilma Rousseff.
Não foi isso o que aconteceu.
Mas a “denúncia” fazia sentido à tese: Dilma queria impedir registros em vídeo de quem ia ao Palácio, para impedir provas de corrupção.
Escreveu Augusto:

Felizmente, o governo de Michel Temer, em uma de suas primeiras decisões, restabeleceu o Gabinete de Segurança Institucional, que voltou a ter sob seu comando a Abin.

Augusto e Cantanhede deram crédito a um general que agora é denunciado pela mesma revista Veja como o comandante de uma ação de espionagem sobre o ministro Édson Fachin.
Ah, mas o general ligou para a presidente do Supremo, Carmen Lúcia, para desmentir a notícia.
Carmen Lúcia não acreditou e divulgou nota em que exige apuração.
Foi mais esperta que os porta-vozes da direita na imprensa.
Esse pessoal se agarra onde pode para continuar alimentando um público que não quer informação ou análise, mas linchamento.
Haja criatividade.
A desculpa agora para manter Temer é a crise – crise, já ensinou Milton Friedman, é o forno ideal onde se assa o bolo das reformas neoliberais.
É preciso estar atenta a elas, porque se apresentam como uma porta de oportunidades para destruir o que, em outros tempos, já se chamou de estado do bem estar social.
É a receita de Friedman – está nos seus escritos.
Crises podem surgir espontaneamente, mas também podem ser criadas ou maximizadas.
No Brasil, o discurso da direita hoje é: Vamos manter o ladrão lá, porque a crise nos ameaça.
Solução para a crise?
Que nada.
O que querem, no fundo, é manter o processo de rapinagem do patrimônio público.
Pode anotar: o discurso “é-preciso-manter-Temer-para-enfrentar-a- crise” é o que sustentará a posição do PSDB no governo.
A decisão será tomada nesta segunda-feira.
No dia seguinte, seus porta-vozes estarão escrevendo que o inimigo a ser enfrentado é outro: Lula, o chefe da quadrilha, com seu tríplex, reforma da cozinha e pedalinhos.
Seria cômico não fosse trágico.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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