Projeto da Band para o concurso Miss Piauí 2017 é risível


Onde a emissora vai conseguir achar 57 candidatas para uma seletiva fora da realidade do Estado?

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Thaís Souza/GP1


O projeto da Rede Bandeirantes para a realização do Miss Piauí 2017, apresentado à imprensa em uma casa de recepções da zona leste de Teresina na manhã desta terça-feira (30) contempla itens que moldam a mais precária das etapas estaduais do Miss Brasil aos parâmetros da matriz paulistana da emissora – inscrições gratuitas, pré-seleção, seletiva presencial, confinamento e final televisionada. O diretor regional do Grupo Bandeirantes de Comunicação, Diego Trajano, apresentou uma série de pontos, entre os quais as inscrições que já estão sendo feitas via internet, através do site da empresa patrocinadora – a Polishop, através da marca de cosméticos Be Emotion – desde o início do mês.
De acordo com Trajano, serão reservadas 50 vagas para inscrição de candidatas, para que se possa chegar a uma seleção de 20 candidatas para a final televisionada, marcada para o dia 15 de julho. Dois locais já estão em estudo: o Parque Poticabana e o Parque da Cidade. Mas, diante de tanta promessa, fica a pergunta: será que a band vai conseguir arranjar tanta candidata para inflar ainda mais o combalido concurso de Miss Piauí, que chegou ao máximo de 20 candidatas em 2008? 20 candidatas municipais eleitas, não selecionadas na metodologia a que se propõe.
Segundo Trajano, a Band Piauí será a única responsábel pela produção e organização do Miss Piauí 2017. A emissora quer evitar erros da década de 1980, quando a TV Timon (afiliada do SBT, hoje cabeça da independente Rede Meio Norte) contratou uma agência de publicidade para coordenar o Miss Piauí 1988. O concurso não aconteceu, e no lugar teve de se aclamar uma modelo para representar o Estado no já bagunçado Miss Brasil 1988, que o SBT quase não promoveu por causa dos “dedinhos” da Globo, das Associações Brasileira de Anunciantes (ABA) e de Agências de Propaganda (ABAP) e dos petistas presos pela Lava Jato, que queriam uma grade de eventos livre de misses, mas com outras premiações que não fossem o Miss Universo.
De acordo com o plano da Band Piauí, 40 candidatas deverão ser pré-selecionadas por um comitê e pela emissora para uma avaliação presencial, com os documentos requeridos. Mas, dado o baixo interesse de garotas piauienses em competir no Miss Piauí, levando-se em conta a evasão constante de talentos do próprio Estado para fora, vale a pena a Band arriscar uma coisa dessas? Com o argumento das inscrições no site nacional, a Band tenta pegar modelos piauienses que, nessa altura do campeonato, já estão vivendo nos eixos Rio-São Paulo e Nova York-Paris-Milão.
Pela leitura preliminar das notícias que saem nos sites piauienses, tenta se dar ao Miss Piauí um ar improvável de Binibining Pilipinas, onde se selecionam 40 candidatas entre mais de 2 mil inscritas nas Filipinas. Teresina não é Manila e disso Diego Trajano precisa estar ciente. Nem a Band Piauí tampouco a Band nacional são a ABS-CBN. Tenta-se com esse projeto costurar uma piada de extremo mau gosto.
A Miss Brasil 2016, a baiana Raíssa Santana, 21, eleita pelo “Paraná do (‘coração generoso do juiz’) Sérgio Moro”, em palavras do deputado Osmar Serraglio no Golpe Parlamentar de 17 de Abril e do procurador federal Igor Romário da Lava Jato, para contestar a absolvição da mulher do deputado cassado Eduardo Cunha, fará a coroação da vencedora. Para a Band, a Miss Piauí 2016, Lara Lobo, está fora de qualquer plano para o concurso de 2017..

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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