Conluio Globo/Odebrecht/PT/ABAP restringiu o Miss Brasil dá década de 1990 a reportagens e afundou chances do país no Miss Universo, provocando uma seca de semifinalistas


Em toda a década, foram apenas duas classificações sem destaque

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Fotos Miss Universe Organization/Divulgação


O esvaziamento do concurso Miss Brasil válido pelo Miss Universo provocado pela Rede Globo em março de 1990 não causou apenas sérios danos à participação brasileira no Miss Universo 1990, mas principalmente arranhou a reputação das candidatas brasileiras que o país voltou a mandar para o concurso a partir de 1991, já com a coordenação da ex-funcionária do SBT Marlene Brito. Com o dinheiro da rescisão contratual feita em função do Plano Collor I, Marlene montou a Most of The Brazilian Beauty, que mal teve condições de organizar os concurso nacional de 1992.
Com o boicote da mídia, o Miss Brasil 1993 teve de ser reduzido a uma seletiva que envolveu apenas 10 candidatas, mantidas sob sigilo. Nenhum meio de comunicação poderia saber dos detalhes, exceto uma equipe do programa Flash, que Amaury Jr. mantinha na Band. Foi o apresentador que deu aos brasileiros a primazia de informar que a gaúcha Leila Schuster foi anunciada para representar o país no Miss Universo 1993, realizado em 21 de maio na Cidade do México. E, a contragosto do SBT, que tinha um contrato “preso” com a Miss Universe Inc., Amaury colocou trechos do MU 1993 em seu programa, destacando a participação de Schuster, classificada entre as 10 semifinalistas. E só.
Não foi apenas o conchavo com petistas e a ABAP que fez a Globo tirar do alcance dos brasileiros os concursos de Miss Brasil e Miss Universo durante a década de 1990. A “sociedade privada” com o grupo Odebrecht, delatada pelo empresário Emílio Odebrecht, 72, também fez a Globo se apossar do verbo e da verba direcionada às transmissões dos dois concursos no período. Interditou o debate e seletivizou a memória dos brasileiros para as misses do período. Reduziu o Miss Brasil e o Miss Universo ao obscurantismo das pautas direcionadas pelos herdeiros de Roberto Marinho – Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto, os três chefes da quadrilha midiática da Globo, irrigada com verbas generosas dos governantes de plantão do período.
A ignorância do Padrão Global/Padrão Fantástico reduziu a última miss da década, a gaúcha Renata Fan, a isca de pauta sobre o Miss Brasil 2000. Miss Brasil 2000. As outras misses da década foram sendo gradativamente soterradas, a exceção de Schuster, em favor de brigas idiotas de audiência entre Gugu e Faustão e baixarias da axé music, encabeçadas pelo É o Tchan e outros detritos da “produção cultural” da era FHC. Foi no primeiro desgoverno tucano que a Rede Record foi agraciada com a transmissão que fez do Miss Brasil 1996, a despeito de a Istoé não ter registrado. Durante toda a década de 1990, o Miss Brasil teve três reportagens no Fantástico e uma no Amaury Jr. E parou por aí.
Só em 1998 o SBT, a despeito de sua baixaria dominical com o Gugu, deu algum espaço ao Miss Brasil. Não transmitiu o concurso nacional, mas conseguiu convidar a miss da ocasião, a sul-mato-grossense Michela Marchi, para ser entrevistada no Programa Livre de Serginho Groisman. O intento era divulgar a exibição do Miss Universo 1998, feita em 16 de junho, em plena época de Copa do Mundo, com Globo, Manchete, Band e Record juntas na França. O evento que o SBT mostrou ocorreu em Honolulu. Marchi se classificou entre as 10 semifinalistas e parou por aí.
Para o Miss Brasil, a década de 1990 terminou em uma cobertura local da rede CNT apenas para a cidade do Rio de Janeiro. E assim também o foi em 1997 (Teresina) e 1998 (São Paulo). As trocas de comando no Miss Brasil também teriam sido influenciadas pelo esquemão Globo/Odebrecht, formado para privatizar a telefonia, a eletricidade e o petróleo, neste caso, sem sucesso. E também o verbo sobre nossas misses.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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