Assunto da semana: Dinastia, eu quero uma pra viver


Cazuza tremeria com o museu de novidades da semana de upfronts

Fotos Editora Abril, ABC/Divulgação e The CW/Divulgação


A microcefalia de novas ideias roteirizadas para parte das cinco principais redes abertas americanas, que concluíram sua semana de upfronts para a temporada 2017-2018 na manhã da quinta-feira (18), obrigou essas emissoras, na esteira do retorno anunciado do American Idol, a acertar contratos com espólios e produtoras para a ressuscitação de projetos que pareciam fadados às maratonas de redes abertas de reprises e canais como a TV Land, do mesmo grupo controlador da MTV e da Nickleoden. Roseanne, Dinastia
Quando traçou as linhas de O Tempo Não Para, em 1988, Cazuza (1958-1990) não notaria que sua retórica soaria verdadeira ao dizer “Eu vejo o futuro refletir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades”. Como diria o Poeta, “a nossa canção nunca mais tocou”. “Nossa”, para a ABC, que fechou o negócio da volta do Idol e, fora isso, decidiu tirar do ostracismo Roseanne Barr, 64, devolvendo à vida a sitcom que tinha seu prenome. Em plena quinta-feira de gritos de “Fora Temer”, tal lógica renderia toneladas de humor negro.
À parte da volta de Roseanne e Roseanne à televisão, outra divindade de executivos de emissoras veio logo da juvenil The CW de tantos super-heróis. Tirar Dynasty das catacumbas, a meu ver, seria a Ressurreição de um projeto fora da sintonia de seu público, que já viu Tyra Banks apresentar America’s Next Top Model e as aventuras do jovem Clark Kent em Smallville. Soa como uma contradição a CW servir de Museu Nacional de Belas-Artes para tentar pegar a Joan Collins para uma geração de cosplays e geeks. Não dá.
Nos lados da CBS, o óbvio uluante que já vinha sendo decantado por Nelson Rodrigues (1912-1980). S.W.A.T. retorna, mas copidescado de um filme de 2003, baseado na série original de 1974, do “parara, parara, parara”. Não dá para mudar as notas musicais. Na NBC, a longeva franquia Law & Order, além de SVU, passa a ter minisséries baseadas em crimes reais de grande repercussão na mídia americana. Os Assassinatos dos Melendez não passa de traque de São João ante American Crime Story: O.J. Simpson. Bom final de semana.

Publicação simultânea com o TV+Vida do Jornal Meio Norte deste sábado (20/5)

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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