MPF vai investigar contratos da Band com a Miss Universe Organization firmados com Trump para o Miss Universo 2011


Há indícios de subfaturamento

Da redação TV em Análise

Yasuyoshi Chiba/AFP/Getty Images/04.09.2011


Primeiro grande evento do ciclo que se concluiu com as Olimpíadas do Rio no ano passado, o concurso Miss Universo 2011 é alvo de investigação de uma força-tarefa de procuradores do Ministério Público Federal de São Paulo. Eles querem saber quais valores foram efetivamente pagos pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação à Miss Universe Organization, à época uma joint venture formada pelo grupo de mídia NBCUniversal e pelo presidente americano Donald Trump, 70. Trump, que goza da imunidade, não será investigado, mas a Band e seus diretores sim.
De acordo com a denúncia, apresentada em primeira mão ao TV em Análise Críticas, a Band pagou à MUO R$ 238 milhões (US$ 75,6 milhões) pelos direitos de organização, transmissão, divulgação, comercialização e promoção da 60ª edição do concurso de Miss Universo, realizada no dia 12 de setembro de 2011, no Citibank Hall. Há indícios de que a Band subfaturou o valor inicialmente contratado em 13 de dezembro de 2010 para impedir que o Miss Universo 2011 tivesse uma maior audiência e alcance midiático.
O grupo de promotores se baseia na experiência bem-sucedida de organização do Miss Universo 2016, em janeiro último, nas Filipinas. Lá, a LCS Group of Companies pagou US$ 11 milhões (R$ 34,5 milhões) pelos mesmos direitos, repassados às três principais redes de televisão do país – ABS-CBN, GMA Network e TV5. Há suspeitas de que executivos da Enter, empresa de eventos que a Band criou apenas para o concurso, se apropriaram de valores destinados a obras de infraestrutura, comunicações e aluguel de equipamentos de telecomunicações e meios de transporte usados no deslocamento das 89 candidatas, equipes de produção e filmagem, artistas e convidados da organização e na assistência aos jornalistas nacionais e internacionais que cobriram o certame.
Entre os diretores da Enter apontados como beneficiários do desvio de verbas de mídia do Miss Universo 2011 está Caio Luiz de Carvalho, ex-ministro do Turismo do (des)governo Fernando Henrique Cardoso, filiado ao PSDB e presidente da companhia. Outros quatro executivos e ex-executivos da Band estão arrolados no processo: João Carlos Saad, Evandro Hazzy, Gabriela Fagliari e Frederico Nogueira. O caso ainda está em fase inicial e corre em segredo de justiça. Todos negam envolvimento nas acusações.
De acordo com a denúncia do MPF, a Band subfaturou o preço dos contratos para o Miss Universo 2011 em 85,71%, reduzindo-os para US$ 34 milhões (R$ 106,1 milhões, em valores atualizados). Na contramão, a emissora conseguiu arrecadar R$ 51 milhões (US$ 16,34 milhões) com a comercialização das quatro cotas de patrocínio, uma delas para o Banco do Brasil. Nesse caso, as perdas foram de 51,93% sobre o valor inicialmente contratado, transformando o concurso num dos maiores fracassos comerciais da história do país na área de eventos, atrás apenas da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016.
Donald Trump, que vendeu a Miss Universe Organization ao grupo de entretenimento WME/IMG no dia 14 de setembro de 2015, assegurou através de sua assessoria na Casa Branca que “os contratos de organização do Miss Universo 2011 no Brasil foram legais” e “obedeceram a todos os trâmites consulares e de tratados comerciais vigentes entre os Estados Unidos e o Brasil”. Depois que as investigações do MPF sobre os custos de organização do Miss Universo 2011 começaram, a Band vendeu a propriedade do Miss Brasil para a empresa de varejo Polishop. Esse acordo, no entanto, será investigado por outro grupo de procuradores federais, que tenta estabelecer um elo entre o acordo Band/Polishop e os contratos assinados pela Band com a MUO já na gestão da IMG.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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