Depois de 62 anos, Polishop ‘mata’ concurso de Miss Bahia. Candidata do Estado ao Miss Brasil 2017 será indicada


Certame deu ao Estado três misses Brasil e um título de Miss Universo

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Acervo Última Hora/Folhapress/1954


Um mar de informações desencontradas pode comprometer a realização do concurso Miss Bahia 2017, previsto inicialmente para a quinta-feira, 20 de abril. Até o fechamento desta matéria, os responsáveis pela concessão do Miss Brasil no Estado não tinham se pronunciado sobre como, quando e onde ocorrerá a eleição, se é isso que vai acontecer, da sucessora de Victoria Esteves, semifinalista no Miss Brasil 2016. A se confirmar a hipótese de indicação, a Polishop, patrocinadora master do Miss Brasil desde 2015, estará “matando” a etapa estadual mais importante da etapa brasileira do Miss Universo na região Nordeste.
Foi a Bahia de Caetano, Caetano do PT, Gal, Gil, Bethânia, Dona Canô, Bôbô, Dôdô e Osmar, Neto LX, Pablo do Arrocha, Simone, Simone e Silmária e outros animais fantásticos e horrendos da música contemporânea disponíveis nas 365 igrejas de Salvador que deu ao Brasil e ao mundo nomes como os de Martha Rocha, derrotada no Miss Universo 1954 pelas tais de duas polegadas excedentes e Martha Vasconcellos, que levou a coroa de Miss Universo no dia 13 de julho de 1968. Para os brasileiros, essa data marcou o início da seca vigente de títulos no concurso do qual o Brasil passou a tomar parte em 1954, dois anos após sua criação, em Long Beach. Foi a Bahia das Martas que conseguiu 35 classificações no Miss Brasil em 61 participações, o que equivale a um aproveitamento de 57,37%.
Em clima de velório, missólogos tentam se entender o porquê da Polishop praticar essa ocultação criminosa contra a tradição do Miss Bahia. Medo de perder anunciantes? Medo de a Be Emotion encalhar suas vendas nas tendas da Polishop existentes nos shoppings soteropolitanos? De acordo com a coordenadora local, Gabriella Rocha, houve uma “intensa campanha” nos veículos do Grupo Bandeirantes de Comunicação na capital baiana – TV Band e BandNews FM. Mas não é isso que a classe missológica ora ficada no Miss Goiás nota. O mesmo silêncio aterrador no quântico de candidatas se verifica em Roraima. Porém, no Estado nortista, a diferença e mais a favor. Lá, toneladas de avisos foram publicados nas redes sociais do Miss Roraima, inclusive a oficial, de Paulo Silas Valente, empossado pela Polishop após uma década de mandarinato da família Rodrigues.
Para um Estado que deu à primeira Miss Brasil marchinha de Carnaval, é inadmissível que se coloque o Miss Bahia na linha de eutanásia imposta pelo Deus Mercado João Appolinário, Deus Supremo de Todos os Deuses o Qual Deverá ser Honrado e Venerado pelos Franqueados Estaduais do Miss Brasil. Na Bahia das Martas e de Maria Olívia Rebouças, quinta colocada em Miami Beach no Miss Universo 1962, o “assassinato” do Miss Bahia soa como o triste epílogo de uma sanha mercadológica paulista ávida por assassinar as diversidades regionais que o país tanto tem, E que tanto tem zelado nos 27 concursos estaduais do Miss Brasil desde sempre.
O assassinato do Miss Bahia 2017 enquanto concurso apenas corrobora a corrente de silêncio imposta pela Polishop às candidatas que se inscreveram e, principalmente, às misses municipais já eleitas. Lamentavelmente, estamos assistindo ao velório de uma instituição que faz parte das história e atravessou gerações. Para ilustrar, a sobrinha de Martha Rocha, Bianca, foi semifinalista no Miss Brasil 1989, o último concurso televisionado antes do silêncio imposto na mão grande pelo consórcio Globo-Odebrecht. A sucessora de Victoria Esteves já está decidida: será Juliana Alves, não a atriz da Globo, representante de Juazeiro de João Gilberto da Bossa Nova e Ivete Sangalo da Banda Eva do Movimento Cansei do futuro prefeito de São Paulo João Dória e Seus Negócios Milionários.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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