Com melhor planejamento, Estados das regiões Sul e Sudeste emplacam maioria das vencedoras do Miss Brasil desde 2003 e devem manter escrita para o ciclo do Miss Brasil 2017


Atrasos em coordenações da região Norte devem contribuir para cenário

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Celso Tavares?EGO/02.10.2016


O adiantamento do planejamento dos concursos estaduais de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo apenas reforça um comportamento vigente no Miss Brasil desde que o concurso passou a integrar a grade da Rede Bandeirantes em 2003: o de colocar na disputa do título de Miss Universo apenas candidatas com Estados de maior tradição, planejamento e preparo de suas candidatas. Embora tenha colocado uma baiana na disputa nacional, o Paraná de Raíssa Santana selou no ciclo do Miss Brasil 2016 a sagração de 25 anos de trabalho do casal Eliane e Wall Barrionuevo. Nos dois títulos de Miss Brasil que a empresa de ambos, a BMW Eventos, conseguiu angariar anteriormente (Maria Carolina Otto, 1992, e Maria Joana Parizotto, 1996), não havia televisão que apoiasse o Miss Brasil. Todas as redes que eram procuradas para transmitir tinham ordens da Globo para não mostrar. Era a tevê da famíglia Marinho que tocava o terror no meio miss durante a famigerada década perdida de 1990, regada a FHC, mensalão mineiro, privatizações e outras maldades tucanas afins.
Desde que a Band assumiu os direitos do Miss Brasil, em 2003, raríssimos foram os casos de vencedoras que não fossem de Estados do eixo Sul-Sudeste. São essas regiões as responsáveis pelo maior número de títulos nacionais (49, inclusive os herdados por destituições ou renúncias) e participações no Miss Universo (46 de um total de 62). Das últimas 14 vencedoras do Miss Brasil, nove nasceram em Estados considerados como referência no Miss Brasil, como Minas Gerais (Gislaine Ferreira, esta eleita por Tocantins, e Natália Guimarães), Santa Catarina (Carina Beduschi) e a massa do Rio Grande do Sul (a finada Fabiane Niclotti, Rafaela Zanella, Natália Anderle, Priscila Machado, Gabriela Markus e Marthina Brandt). Só as gaúchas respondem por 42,85% do total de títulos de Miss Brasil obtidos na “era Band” e 44,44% das classificações brasileiras no Miss Universo registradas em 2003, 2006, 2007 e 2011 a 2016. Apesar de todo esse sucesso, o planejamento do Miss Rio Grande do Sul 2017 está bastante atrasado.
Subindo o mapa, Paraná e Santa Catarina, ao contrário, estão com os planejamentos de seus concursos estaduais do ciclo do Miss Brasil 2017 bastante adiantados. 19 candidatas municipais já foram eleitas para os concursos dos dois Estados, marcados para 20 de junho e 8 de julho, respectivamente. Um eventual repeteco sulista no Miss Brasil 2017 não será surpresa alguma. Marthina passou a faixa de Miss Brasil para Raíssa, natural de Itaberaba que vergava a faixa de Miss Paraná (do juiz Sérgio Moro e da força-tarefa da Operação Lava Jato). A cidade natal da Miss Brasil 2016, situada a 277 km a oeste de Salvador, no caminho para a Belém-Brasília, era uma das mais miseráveis do alto sertão baiano quando Raíssa Santana nasceu, em 6 de julho de 1995, figurando em estatísticas aterradoras de mortalidade infantil de órgãos como o Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância, e IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os pais de Raíssa se mudaram daquele fim de mundo em 1996 para São Paulo, e mais tarde para Umuarama (561 km a noroeste de Curitiba). Políticas sociais implantadas nos governos Lula e Dilma fizeram Itaberaba deixar de ser o cenário de horror nazista da exclusão social proporcionada por anos de oligarquias e atraso social e econômico. Triste Bahia, nunca mais.
Já no Sudeste, São Paulo decidiu dar o exemplo às demais coordenações estaduais e adiantou a eleição de sua candidata ao Miss Brasil 2017 para a noite de 25 de março. Convites foram distribuídos aos montes para representantes de coordenações estaduais para que estes tomassem conhecimento da dinâmica de trabalho do programa de televisão e do show de coroação da Miss São Paulo 2017. A eleição de Karen Porfiro, modelo mineira radicada e que representou a capital na disputa, foi um mero detalhe. O importante para as coordenações que estão com a bala toda nos trabalhos de produção de seus concursos estaduais era tomar conhecimento de como proceder em cada concurso estadual. A começar do Paraná onde vive Raíssa Santana.
Se planejamento vencer jogo, uma eventual vitória de Karen Porfiro no Miss Brasil 2017 será consequência de um trabalho de bastidores iniciado ainda em meados de 2016, com os concursos municipais. Karen só foi eleita Miss Município de São Paulo a um mês do concurso estadual. E sua experiência anterior no concurso nacional, defendendo seu Estado natal, Minas Gerais, em 2014, a terá amadurecido para um intento mais importante: o título de Miss Universo. Quanto às candidatas que saírem do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, é melhor aguardar as cenas dos próximos capítulos.
Mais acima no mapa, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraíba e Estados da região Norte caminham a passos de cágado na produção de seus concursos. No Rio, não há coordenação desde o ano passado. No Amapá, Espírito Santo e Paraíba, a produção dos concursos estaduais está parada. Acre, Bahia, Distrito Federal, Rondônia e Roraima estão inscrevendo candidatas, mas não há informação sobre a eleição de candidatas municipais.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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